quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Lísias


Lísias

No dia em que resolvi partir
Uma fada ruiva me acenava
( e era uma sereia que cantava )
Abria os braços lívidos me chamando
à volúpia de uma viagem
que era promessa de luxúria eterna.

Quando ela canta vou me desfazendo,
meio adormecida, meio desmaiada
hipnotizada com sua melodia,
que é rio, cachoeira: liberdade!
Seus vales brancos
que não explorei
ainda me chamam
com pessegueiros carregados
de frutos rosáceos
e sumarentos

Vou ao seu encontro:
cadáver manso
obediente à cova doce que me atrai
com essa existência
que dia a dia me trai.
Dá-me a grinalda, fada ruiva,
que eu, vencida e parva, a escolhi
para ser a minha pálida noiva.

Adriana Manareli

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