quinta-feira, 5 de março de 2026

Relato: “Você acredita em nós agora?”, O sonho estranho que tive após desafiar os djinn

 


Oi, Dani. Meu nome é Sofia. Conheci o blog há pouco tempo enquanto pesquisava sobre mitologia e coisas relacionadas ao mundo espiritual. Eu sempre gostei de ler sobre essas coisas, mas confesso que nunca levei muito a sério. Mesmo assim, achei os posts muito interessantes e resolvi contar algo estranho que aconteceu comigo há alguns meses. Até hoje eu não sei explicar direito.

Na época eu estava passando muito tempo no celular à noite, lendo artigos aleatórios antes de dormir. Um dia acabei caindo em um texto sobre criaturas chamadas djinn. Eu nunca tinha ouvido falar muito sobre eles antes, apenas aquela ideia vaga de “gênios” das histórias antigas. Mas o artigo dizia que, em algumas tradições, os djinn são seres que vivem em um mundo paralelo ao nosso e que às vezes podem aparecer em sonhos.

Eu achei aquilo curioso, mas também meio absurdo.

Mesmo assim continuei lendo mais um pouco. Alguns relatos diziam que certas pessoas teriam visto djinn em sonhos ou durante estados de consciência estranhos. Quanto mais eu lia, mais parecia coisa inventada da internet.

Lembro que, antes de dormir, joguei o celular na cama e falei em voz alta, meio rindo sozinha:

“Se djinn são reais, eu quero ver um.”

Não pensei mais nisso depois.

Apaguei a luz e fui dormir.

Naquela noite tive um sonho extremamente vívido. Não parecia um sonho comum. Eu estava andando em um lugar que parecia um deserto, mas ao mesmo tempo não era exatamente um deserto. O chão era de areia escura, e o céu estava cheio de estrelas muito brilhantes, mais do que eu já vi na vida real.

Havia também algumas estruturas ao longe, como ruínas antigas ou construções feitas de pedra clara. Lanternas pendiam de alguns arcos e iluminavam o caminho com uma luz suave.

Eu não estava sozinha.

Um homem caminhava ao meu lado.

Ele parecia ter uns trinta e poucos anos. Era alto, tinha cabelo escuro e usava roupas que pareciam antigas, como aquelas túnicas que aparecem em filmes ambientados no Oriente Médio. Ele parecia muito tranquilo, quase divertido com a minha presença ali.

O estranho é que no sonho eu não senti medo.

Era como se aquilo fosse normal.

Ele começou a me mostrar o lugar como se estivesse me guiando em um passeio. Em alguns momentos apontava para coisas ao longe, como jardins iluminados ou prédios com cúpulas arredondadas. Eu lembro de ter pensado que aquele lugar era bonito, mas também um pouco estranho, como se não pertencesse ao nosso mundo.

Em certo momento perguntei onde estávamos.

Ele apenas sorriu.

“Você não reconhece?” perguntou.

Eu disse que não.

Ele respondeu algo como: “Nem todos conseguem ver este lugar.”

Continuamos caminhando por um tempo. O mais estranho é que eu conseguia sentir o vento, a textura da areia sob meus pés e até o cheiro do ar quente. Era muito mais real do que qualquer sonho que já tive.

Depois de um tempo ele parou de caminhar.

Virou-se para mim.

Até aquele momento ele parecia amigável, quase brincalhão. Mas quando olhou diretamente para mim, seu sorriso mudou um pouco. Não era ameaçador, mas também não era o mesmo sorriso leve de antes.

Ele me observou por alguns segundos e então perguntou:

“Você acredita em nós agora?”

Na hora eu respondi quase automaticamente:

“Isso não é real. É só um sonho.”

Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse achando graça da minha resposta.

Então disse algo que até hoje eu lembro com muita clareza:

“Você sabe que é real. Basta apenas dizer que eu venha novamente ao seu encontro. Mas não duvide mais.”

Logo depois disso eu acordei.

Não foi aquele despertar lento de quando saímos de um sonho comum. Eu simplesmente abri os olhos de repente, como se alguém tivesse me chamado.

O quarto estava completamente escuro.

Por alguns segundos fiquei parada, tentando entender o que tinha acontecido. O sonho ainda estava muito vivo na minha cabeça.

Então senti algo estranho.

Um arrepio forte, daqueles que percorrem o corpo inteiro.

E junto com ele veio uma sensação muito clara de que eu não estava completamente sozinha no quarto. Era como se alguém estivesse ali, parado em algum lugar da escuridão, me observando.

Eu tentei ignorar aquilo.

Mas quanto mais eu ficava deitada no escuro, mais forte aquela sensação ficava.

Meu coração começou a bater rápido. Eu não ouvi passos nem vi nada se mover, mas era uma sensação muito incômoda, como quando você tem certeza de que alguém está olhando para você.

Depois de alguns segundos que pareceram muito mais longos, estiquei a mão e acendi a luz do quarto.

No mesmo instante aquela sensação desapareceu.

Não havia ninguém ali.

Mas eu continuei sentada na cama por um tempo, tentando me convencer de que tudo tinha sido apenas um sonho muito vívido.

Até hoje não sei explicar o que aconteceu naquela noite. Pode ter sido só a minha mente misturando as coisas que eu tinha lido antes de dormir.

Mesmo assim, desde então eu nunca mais fiz brincadeiras do tipo “se vocês são reais, apareçam”.

Porque, no fundo, uma parte de mim ainda lembra muito bem da forma como aquele homem me olhou antes de eu acordar.

As Regras das Fadas da Casa

 


Neste pequeno jardim encantado onde histórias, mitos e mistérios são compartilhados, existe uma regra simples que vem sendo respeitada pelo povo feérico há muito tempo.

As fadas valorizam a curiosidade, o respeito e o encanto diante das maravilhas do mundo invisível. Elas gostam de visitantes gentis, de pessoas que chegam com mente aberta e coração leve.

Mas também são criaturas muito sábias.

Por isso, aprenderam há séculos que algumas vozes não merecem atenção.

Nem todo ruído precisa ser respondido. Nem todo comentário precisa de palco. Às vezes, a melhor resposta é simplesmente continuar dançando entre as flores enquanto o vento leva embora aquilo que não tem valor.

Neste jardim mágico, os visitantes são sempre bem-vindos quando chegam com respeito, curiosidade ou desejo de aprender algo novo sobre o folclore, a mitologia e o mundo feérico.

Mas aqueles que entram apenas para provocar, zombar ou espalhar negatividade descobrirão algo curioso.

As fadas simplesmente não respondem.

Elas não discutem, não brigam e não desperdiçam energia tentando convencer quem não quer ouvir.

Elas apenas seguem seu caminho, como fazem há séculos, deixando que cada pessoa revele por si mesma o tipo de espírito que carrega.

Porque no final das contas, o povo feérico sabe de algo que os humanos às vezes esquecem:

A energia que alimentamos cresce.

E aqui neste pequeno pedaço do reino encantado, escolhemos alimentar apenas aquilo que floresce.

Portanto, se você chegou aqui com curiosidade, imaginação ou amor pelas histórias antigas, seja muito bem-vindo.

Mas se veio apenas para fazer barulho…

Talvez descubra que neste jardim as fadas preferem ouvir o som do vento entre as árvores.

Quando as Fadas Oferecem Presentes

 


Entre as muitas histórias que atravessaram gerações sobre o povo feérico, existe uma ideia recorrente que sempre me fascinou: as fadas observam os mortais.

Não de maneira constante ou invasiva, como um vigia silencioso, mas com a curiosidade delicada de quem aprecia pequenas histórias humanas. Dizem que os feéricos têm especial interesse por gestos de bondade que parecem insignificantes aos olhos de quem os pratica. Um copo de água oferecido a um viajante cansado, a ajuda silenciosa a alguém em dificuldade, ou um ato de coragem feito sem esperar recompensa.

Às vezes, segundo as antigas lendas, essas atitudes não passam despercebidas.

E é então que surgem os presentes das fadas.

Esses dons raramente aparecem de maneira grandiosa. Na maioria das histórias tradicionais, eles surgem de forma simples, quase discreta, como se a própria magia tivesse prazer em permanecer um pouco escondida. Uma moeda encontrada no caminho, um objeto aparentemente comum deixado sobre a mesa, ou uma pequena bolsa que ninguém lembra de ter colocado ali.

Mas o que torna esses presentes realmente especiais não é sua aparência.

É a intenção por trás deles.

Uma das histórias mais conhecidas no folclore europeu fala sobre uma parteira que, sem saber, foi levada ao mundo feérico. Em uma noite fria, alguém bateu à porta de sua casa pedindo ajuda para um parto urgente. A mulher aceitou acompanhar o estranho visitante sem imaginar que estava prestes a cruzar os limites entre o mundo humano e o reino das fadas.

Ao chegar ao destino, ela percebeu que a criança que estava prestes a nascer não era exatamente humana.

Ainda assim, fez seu trabalho com cuidado e compaixão.

Quando tudo terminou, uma das fadas lhe entregou um pequeno frasco com uma pomada, dizendo que ela deveria usá-lo apenas em um dos olhos. Curiosa, a parteira acabou experimentando também no outro. No mesmo instante, passou a enxergar as fadas mesmo quando elas estavam disfarçadas entre os humanos.

Esse dom extraordinário foi o presente por sua ajuda.

Mas também veio acompanhado de uma advertência silenciosa: o mundo feérico raramente oferece algo sem esperar discrição.

Há muitas histórias semelhantes espalhadas por diferentes culturas. Algumas falam de camponeses que dividiram seu último pedaço de pão com uma mulher misteriosa na estrada e, na manhã seguinte, encontraram um campo inteiro de trigo amadurecido antes do tempo.

Outras contam sobre jovens que ajudaram uma pequena criatura perdida na floresta, apenas para descobrir depois que haviam sido recompensados com sorte inesperada ao longo da vida.

Os feéricos parecem valorizar algo que muitas vezes esquecemos de observar em nosso próprio mundo: o caráter verdadeiro de uma pessoa.

Em algumas narrativas, porém, o presente não surge como recompensa imediata, mas como uma prova.

Há histórias sobre viajantes que encontram uma figura estranha na estrada, às vezes uma mulher vestida de verde, às vezes uma pequena criatura escondida entre pedras ou raízes. Essa figura oferece um pequeno objeto embrulhado ou uma bolsa simples, dizendo apenas uma coisa:

“Leve isto para casa. Mas não abra antes de chegar.”

Para muitos, a tentação de olhar antes da hora é quase irresistível.

E nem sempre termina bem.

Algumas dessas histórias dizem que aqueles que obedecem à condição encontram ouro ou pedras preciosas quando finalmente abrem o pacote em segurança. Outros recebem algo mais simbólico, como sementes mágicas que trazem prosperidade.

Mas aqueles que cedem à curiosidade… muitas vezes descobrem algo bem diferente.

Quando o embrulho é aberto antes do momento certo, o que aparece dentro costuma ser apenas folhas secas, carvão ou utensílios velhos sem valor algum.

É como se a magia tivesse se retirado no instante em que a confiança foi quebrada.

Essas narrativas parecem carregar uma lição muito antiga: os presentes das fadas não são apenas objetos. São também testes de paciência, confiança e intenção.

E talvez seja exatamente por isso que tantos desses dons vêm acompanhados de uma regra silenciosa.

Quem recebe um presente do povo feérico muitas vezes deve guardar segredo.

Não falar sobre ele.

Não exibir a bênção diante dos outros.

Porque a magia, segundo dizem os contos antigos, prefere permanecer onde existe respeito e discrição.

Mas nem todos os encontros com seres feéricos acontecem da mesma forma.

Algumas histórias falam de presentes oferecidos por gratidão.

Outras, por admiração.

E há também aquelas, talvez as mais perigosas, em que o presente é apenas o começo de algo muito mais complicado.


Moura Encantada

Nem todos os presentes do povo feérico nascem apenas da gratidão ou da curiosidade.

Alguns surgem por algo ainda mais inesperado: fascínio.

As antigas histórias do folclore europeu estão cheias de relatos em que fadas se encantam com mortais. Às vezes pela coragem de alguém, outras vezes pela bondade, e em muitos casos simplesmente pela beleza ou pela maneira como uma pessoa canta, dança ou conta histórias.

Para os feéricos, os humanos podem parecer criaturas estranhamente fascinantes.

Nós envelhecemos rápido, sentimos emoções intensas, tomamos decisões impulsivas e carregamos dentro de nós algo que muitas fadas observam com curiosidade: a capacidade de viver intensamente em um tempo muito curto.

Algumas histórias contam que, quando uma fada se encanta por um mortal, ela pode oferecer um presente especial. Não como recompensa, mas como um gesto de afeição.

Há lendas sobre jovens músicos que receberam instrumentos que nunca desafinavam. Sobre costureiras que ganharam agulhas capazes de bordar com perfeição extraordinária. Sobre poetas que, depois de um encontro misterioso na floresta, passaram a escrever versos que pareciam carregados de magia.

Esses dons nem sempre vêm acompanhados de explicações.

Às vezes aparecem simplesmente como um pequeno objeto deixado no caminho ou entregue por alguém que desaparece antes que o mortal possa fazer perguntas.

Mas existe uma regra que se repete em muitas dessas narrativas: o segredo.

A magia feérica, dizem os contos antigos, não gosta de ser exibida como troféu. Aqueles que recebem um dom das fadas devem usá-lo com discrição. Não para impressionar os outros, mas para viver melhor ou para fazer algo bonito com o presente recebido.

Há histórias de pessoas que quebraram esse silêncio e pagaram o preço.

Um conto irlandês fala sobre um homem que recebeu uma pequena bolsa que nunca ficava vazia de moedas. Durante muito tempo ele usou esse presente com cuidado, ajudando sua família e mantendo o segredo. Mas um dia, tomado pelo orgulho, decidiu contar a todos sobre sua sorte.

Na manhã seguinte, quando abriu a bolsa, encontrou apenas pó.

Como se a própria magia tivesse ido embora.

Essas histórias nos lembram que, no mundo feérico, confiança e humildade são tão importantes quanto a própria magia.

Mas se alguns presentes das fadas nascem da gratidão ou do encanto, outros surgem em circunstâncias muito mais perigosas.

Um exemplo curioso vem das lendas da Península Ibérica: as histórias das Mouras encantadas.

Essas figuras aparecem em muitos contos populares de Portugal e da Espanha. Geralmente são descritas como mulheres de beleza extraordinária, de cabelos longos e olhar misterioso, encontradas perto de fontes antigas, ruínas, cavernas ou colinas onde se acredita que existam tesouros escondidos.

A moura encantada quase sempre aparece para viajantes solitários.

Às vezes ela pede ajuda.

Outras vezes oferece algo.

Em muitas histórias, ela surge com uma cesta de comida, frutas ou pão fresco, convidando o viajante a aceitar o presente e sentar-se ao seu lado. Para alguém cansado após uma longa caminhada, a oferta pode parecer apenas um gesto de gentileza.

Mas nas lendas, quase sempre existe um detalhe inquietante.

A moura está presa a um encantamento.

E para se libertar, precisa encontrar alguém disposto ou enganado o suficiente para assumir seu lugar.

Em algumas versões da história, quem aceita o presente e concorda em ajudá-la acaba se tornando o novo guardião do tesouro ou do local encantado, enquanto a moura finalmente recupera sua liberdade.

O viajante, sem perceber, troca sua própria liberdade pela dela.

Histórias como essa mostram que o reino feérico é muito mais complexo do que às vezes imaginamos.

Há bondade, beleza e generosidade.

Mas também existem armadilhas, jogos e criaturas que seguem regras muito diferentes das humanas.

Talvez a lição mais importante desses contos antigos seja simples: aceitar um presente das fadas pode ser algo maravilhoso… ou algo perigoso.

Assim como entre os humanos, nem todos os seres do povo feérico têm as mesmas intenções.

Alguns podem oferecer ajuda sincera.

Outros podem testar nossa paciência, nossa curiosidade ou nossa prudência.

E há ainda aqueles que sabem sorrir com tanta doçura que esquecemos de fazer a pergunta mais importante.

Por que exatamente esse presente está sendo oferecido?

No reino feérico, beleza e mistério caminham lado a lado. Por isso, dizem as histórias antigas, sempre vale a pena lembrar de algo muito simples.

Nem todo presente é apenas um presente.

Às vezes, ele também é uma escolha. ©

Vampiros: Entre o Medo Antigo e o Fascínio Eterno

 


Desde que o ser humano aprendeu a temer a escuridão, também aprendeu a imaginar o que poderia habitar nela.

Entre todas as criaturas que atravessaram séculos de superstição, lenda e literatura, poucas despertam uma mistura tão intensa de fascínio e inquietação quanto os vampiros. Eles caminham na fronteira entre o horror e a sedução, entre a morte e o desejo. São sombras que carregam algo profundamente humano: a eterna obsessão pela imortalidade.

Mas o vampiro que conhecemos hoje: elegante, misterioso, muitas vezes belo e sedutor, nem sempre foi assim.

Muito antes dos romances góticos e das histórias modernas, as primeiras narrativas sobre vampiros nasciam de um medo muito mais cru e primitivo.

Na Europa Oriental, especialmente em regiões como a Sérvia, Romênia e Bulgária, camponeses acreditavam que certos mortos não permaneciam em repouso. Havia histórias sobre cadáveres que se levantavam das sepulturas durante a noite para visitar as casas dos vivos. Alguns sugavam o sangue de familiares, outros simplesmente drenavam a força vital das pessoas enquanto dormiam.

Essas criaturas não eram descritas como figuras encantadoras.

Pelo contrário.

Os relatos antigos falavam de seres grotescos, inchados, com pele escurecida ou avermelhada pelo sangue acumulado no corpo. Em algumas narrativas, seus lábios estavam manchados e seus dentes pareciam alongados. A aparência era perturbadora, quase animalesca, como se a morte tivesse deformado aquilo que um dia foi humano.

Essas histórias surgiam em épocas marcadas por doenças inexplicáveis e mortes súbitas. Quando uma família inteira começava a adoecer após o falecimento de alguém, a explicação parecia evidente para aqueles que viviam naquele tempo: o morto havia retornado.

O vampiro, naquele contexto, não era um símbolo de romantismo.

Era um presságio.

Era a prova de que algo estava profundamente errado entre o mundo dos vivos e o reino dos mortos.

Em alguns vilarejos, quando surgia a suspeita de vampirismo, os moradores tomavam medidas drásticas. Túmulos eram abertos, corpos eram examinados, e se o cadáver parecesse “bem preservado demais”, isso era interpretado como sinal de atividade sobrenatural. Cravavam-se estacas no peito, decapitavam-se corpos ou queimavam-se restos mortais para impedir que a criatura voltasse a caminhar na noite.

Hoje essas práticas podem parecer brutais, mas revelam algo fascinante: o medo do vampiro nasceu de uma tentativa desesperada de compreender a morte.

Sem medicina moderna, sem explicações científicas para epidemias ou decomposição, o sobrenatural preenchia os vazios do desconhecido.

Mas as raízes do mito vampírico não se limitam apenas ao Leste Europeu.

Civilizações muito mais antigas já falavam de entidades que se alimentavam da energia vital dos vivos.

Na Mesopotâmia, existiam histórias sobre espíritos femininos chamados Lamashtu, criaturas noturnas que atacavam pessoas durante o sono. No folclore judaico, a figura de Lilith, uma entidade associada à noite e à sedução, também foi, em certas tradições, ligada à ideia de seres que drenam energia ou sangue.

Na Grécia Antiga, falava-se das lamias, mulheres demoníacas que devoravam jovens e crianças.

Cada cultura tinha sua própria versão.

Mas todas compartilhavam um elemento comum: algo morto, ou não totalmente vivo, que se alimenta da essência dos vivos.

Talvez seja por isso que o vampiro tenha sobrevivido tão bem ao passar dos séculos.

Ele toca em medos muito antigos.

O medo da morte.

O medo da decadência do corpo.

E, talvez mais profundamente, o medo de que aquilo que enterramos nem sempre permaneça adormecido.

Ainda assim, com o passar do tempo, algo curioso começou a acontecer com essas criaturas.

Aos poucos, o monstro grotesco das aldeias começou a se transformar.

Nas páginas da literatura gótica do século XIX, o vampiro ganhou outra forma. Deixou de ser apenas um cadáver grotesco para se tornar uma figura aristocrática, envolta em mistério e charme sombrio.

Foi ali que nasceu o vampiro que conhecemos hoje.

Mas essa transformação não aconteceu por acaso.

E é justamente sobre isso que falaremos na próxima parte.



Em algum momento entre os medos das aldeias antigas e as páginas da literatura gótica, o vampiro começou a mudar de forma.

O cadáver grotesco que aterrorizava vilarejos na Europa Oriental lentamente deu lugar a uma figura muito mais sofisticada. O monstro inchado das superstições camponesas foi sendo substituído por algo diferente: uma criatura elegante, aristocrática, envolta em mistério e magnetismo.

Essa transformação não aconteceu apenas no imaginário popular. Ela nasceu, em grande parte, dentro da literatura.

No início do século XIX, escritores europeus começaram a se fascinar por essas antigas lendas e decidiram reinterpretá-las. Em 1819, o escritor inglês John Polidori publicou um conto chamado The Vampyre, que apresentou ao mundo uma nova versão da criatura. Seu vampiro não era um cadáver grotesco que saía da terra. Era um homem refinado, misterioso, pertencente à alta sociedade.

Pela primeira vez, o vampiro deixava de ser apenas uma figura de horror.

Ele se tornava sedutor.

Décadas depois, em 1897, o escritor irlandês Bram Stoker daria forma definitiva a esse arquétipo ao publicar Drácula. O personagem do conde transilvano consolidou a imagem que ainda hoje domina nosso imaginário: o vampiro como um ser antigo, poderoso, envolto em escuridão e charme ameaçador.

Drácula era ao mesmo tempo monstruoso e fascinante.

Era um predador.

Mas também possuía inteligência, elegância e uma aura quase hipnótica.

A partir desse momento, o vampiro deixou de ser apenas um medo coletivo e passou a ocupar um lugar muito mais complexo dentro da cultura humana. Ele se transformou em símbolo.

Um símbolo de muitas coisas.

Do desejo proibido.

Da sedução perigosa.

Da imortalidade.

Ao longo do século XX, cinema, literatura e televisão continuaram a reinventar essas criaturas. Em algumas histórias, os vampiros eram monstros cruéis e implacáveis. Em outras, surgiam como figuras trágicas, condenadas a uma existência eterna entre a fome e a solidão.

Talvez seja por isso que eles nunca desapareceram completamente da imaginação humana.

O vampiro representa algo profundamente contraditório dentro de nós.

Ele é, ao mesmo tempo, aquilo que tememos e aquilo que secretamente desejamos compreender.

Há algo quase poético na ideia de um ser que atravessa séculos, observando civilizações nascerem e desaparecerem. Um observador silencioso da história humana. Uma criatura presa entre dois mundos: nem viva, nem totalmente morta.

Alguns mitos dizem que vampiros são amaldiçoados.

Outros afirmam que são predadores naturais da noite.

E há ainda tradições mais esotéricas que falam de vampirismo energético, não necessariamente ligado ao sangue, mas à absorção da vitalidade ou da força espiritual de outras pessoas.

Seja como for, o arquétipo permanece.

Ele continua surgindo em histórias, filmes, romances e folclores, como se carregasse algo que nossa imaginação se recusa a abandonar.

Talvez porque o vampiro, no fundo, não seja apenas uma criatura sobrenatural.

Talvez ele seja um espelho.

Um reflexo das nossas próprias perguntas sobre vida, morte, desejo e eternidade.

No mundo feérico e nas antigas tradições místicas, existe um ditado curioso que diz que toda lenda carrega ao menos uma centelha de verdade. Nem sempre sabemos qual parte é história, qual parte é metáfora e qual parte pertence aos domínios do invisível.

Mas o fato de uma criatura atravessar séculos de narrativas, culturas e imaginações certamente desperta uma pergunta inevitável.

E é aqui que deixo um pequeno convite para quem está lendo estas palavras.

Entre as sombras da mitologia, do folclore e da imaginação humana, os vampiros continuam caminhando silenciosamente através do tempo.

Eles são apenas personagens que evoluíram com nossas histórias?

Ou seriam ecos distantes de algo que, em algum momento, talvez tenha existido?

E você… acredita nesses seres sombrios e fascinantes? ©


terça-feira, 3 de março de 2026

Ainda estou aqui (e sempre estarei)!

 



Boa noite, feéricos divos? Hoje a tia Dani (ou Luana, como prefira kkk) só quer agradecer ao carinho que tem recebido dos leitores e dizer que os blogs ficaram algum tempo fora do ar enquanto estavam em manutenção, mas seguem firmes e fortes e continuarão até que o tio Google desabilite o blogger. Aí eu migro para um site ainda melhor porque não vou parar nunca com esse trabalho maravilhoso.

Agora quem quiser enviar relatos, pode enviar direto pelo campo especial que deixei na coluna ao lado, fiz isso para ficar mais organizado. Quem tiver dúvidas apenas, pode simplesmente deixar nos comentários, que responderei assim que eu tiver tempo. Novamente, peço paciência. Estou escrevendo um pouco menos agora porque percebi que tenho muito tempo pela frente e não preciso escrever mil histórias ao mesmo tempo. 

Comecei a jogar The Sims 4 há pouco tempo e estou adorando (acho que viciei, mas é ótimo!). 
Jogar me ajuda a relaxar.

Tem alguns posts agendados (estou agendando pelo menos um por mês para os bloggers não ficarem parados), então quem ainda acompanha, pode esperar por conteúdo novo pela frente. 

Quem quiser receber novas publicações direto por email, pode se inscrever na coluna ao lado (em breve, tentarei colocar isso em todos os blogs, mas estou mexendo devagar).

Sobre o site que eu tinha feito para esse blog, eu excluí porque conversando com a Lili, eu percebi que era melhor colocar um domínio aqui que já tem vários posts do que depois ficar passando os posts para outro canto. Vou criar um novo blog com a ajuda da Lili e da Gi que vai ter o conteúdo de todos os meus blogs em um canto só para facilitar a pesquisa de quem não gosta de ficar pulando de blog em blog, aí encontrar tudo em um só lugar pode ser interessante, né? 

No momento, eu estou sem notebook, mas como estou morando com a Lili e com a Giovanna, estou usando o delas, mas como está logado na conta principal da Giovanna, eu não sei bem como fazer para logar com a minha, tipo, eu adicionei minha conta, mas ainda aparece a delas quando entro em outra página, por isso tive de entrar em guia anônima para publicar esse post, mas vou ver isso com elas amanhã de manhã. Caso contrário, eu posto pelo meu tablet ou pelo email. Enfim, pequenos problemas técnicos que eu resolverei, juro.

Eu espero de coração que vocês fiquem bem e mais uma vez, obrigada. 

Um abraço especial e cheio de luz para o Luiz Vitor, que me acompanha há anos. Obrigada por me acompanhar.  😊