sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Relato: Entre anjos e demônios

Meu nome é Samantha. Descobri esse blog há pouco tempo, mas não sou nova na magia. Eu era evangélica e quando conheci a Wicca, deixei de ir a igreja porque a Wicca me completava de uma forma que a igreja não. Por um bom tempo, trabalhei com deusas celtas e gregas até experimentar algo mais sombrio. Muitos praticantes de magia dizem que não há diferença entre magia boa e magia ruim, que é tudo a mesma coisa, mas não é. Pelo menos para mim não foi. Eu cruzei uma linha que não deveria ter cruzado e comecei a mexer com demônios. Não Elementais ou Deuses sombrios, demônios mesmo. No começo foi bom e eu consegui algumas coisas que achei que me completariam, mas não completaram. 
           Minha vida virou do avesso, e o que começou com pequenos vultos, evoluiu para vozes e pesadelos. Eu os ouço me depreciando e me ameaçando o tempo todo. Comecei a orar e funcionou por um tempo, mas eles voltaram e vieram mais fortes. Tentei voltar à Wicca e pedir ajuda as deusas, mas não sei se não fiz corretamente porque não resolveu. Eu desisti da Wicca e passei para a Magia Do Caos. Fiz alguns servidores para me protegerem, mas percebi que somente eles não são o bastante porque isso que eu atraí para mim é sombrio demais. Cheguei a essa conclusão graças a um sonho que tive: Eu estava parada sozinha em uma floresta e estava desorientada e chateada. À minha direita havia a mais densa escuridão, à minha frente, uma névoa negra circular, pairando no ar, à altura do meu rosto. Essa névoa eram meus servidores agrupados, minha pequena proteção, eu senti. A escuridão densa eram meus inimigos espirituais. À minha direita, surgiu uma plataforma e sobre ela, uma mulher loira, magra, vestida como a deusa Morrigan, mas eu sabia que não era a deusa, embora estivesse vestida como ela. A mulher me chamou e eu fui até ela. Ela me disse que era meu anjo guardião e que só estava vestido daquela forma porque sabia que eu gostava e não queria me assustar. Ela me disse que Deus havia decidido me dar mais uma chance de voltar para ele, mas que eu deveria ir logo porque o tempo estava acabando e que o inferno estava furioso porque eu decidira voltar para Deus. Eu senti o chão tremer e ouvi gritos e gemidos horríveis. A mulher apontou para a escuridão e disse que ela representava meus inimigos, depois para a névoa e disse que era a minha frágil proteção, e então, para outra eu que estava parada confusa diante da névoa, e disse que aquela era eu. Eu fui até a minha outra eu e a peguei pelo braço, dizendo a ela que deveríamos ir até o anjo porque era a nossa única forma de se libertar. Minha outra eu me seguiu até a plataforma, mas parou na metade do caminho, indecisa, porque não queria deixar a magia, porque queria se agarrar desesperadamente a ela. Eu sabia que ela estava sendo ingênua, que não havia mais nada de bom esperando por nós e que era questão de tempo até a escuridão nos alcançar. A arrastei, angustiada, repetindo que era a única forma. A mulher-anjo abriu os braços para nos receber e a escuridão veio e tomou meu frágil eu que golpeou o anjo, o ferindo. Eu acordei depois.
          Apesar de emocionada, eu consegui interpretar todo o simbolismo desse sonho. Eu estava dividida, sem saber se insistia na magia ou se desistia dela. Uma parte minha desejava consertar aquilo com magia e outra só queria dar um fim àquilo tudo sem mais magia. O ato de eu ter ferido o anjo, para mim, significou que eu deixei o evangelho por algo sombrio. Eu não pretendo com esse relato, dizer que a Wicca é sombria, de forma alguma. É boa para muitas pessoas, ajuda muita gente, aproxima pessoas e etc. Mas há outras formas de magia, a satânica - que nada tem a ver com a Wicca - que são perigosas se não souber lidar com elas e eu não soube. Não posso culpar ninguém a não ser eu mesma porque eu sempre tive consciência do certo e do errado, do bem e do mal. Só estou colhendo o que plantei. Eu pretendo voltar para a igreja porque se eu continuar assim como estou, sinto que vou enlouquecer. Queria que te tivesse outra forma, mas certos caminhos nos levam a becos sem saídas. Não pretendo amedrontar ninguém com esse relato, mas pensem bem antes de trocarem fadas por demônios porque fadas são uma coisa boa e quase inocente, mas demônios não. ©


*Nota da Lily:
O relato foi respondido por email.

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Relato: Cativa dos Djinns

Oi? Sou eu, novamente, a Anna Brenda e esse é o meu segundo relato sobre Djinns e considero o mais assustador até agora. 
       Como eu fui bem recebida pelos Djinns azuis no astral, pensei em me arriscar com os verdes e me arrependi por isso depois da experiência traumatizante que tive. Eu sonhei que estava em casa com meus pais e meu namorado quando umas pessoas estranhas invadiram nossa casa e foram muito violentas. Eu lembro do meu pai tentando me convencer a me esconder e eu corri para o salão que usamos como depósito ou como um tipo de porão e me escondi atrás de umas caixas velhas. Ouvi muitos gritos e quando percebi já havia sido encurralada por um casal que usava máscaras semelhantes aquelas que os psicopatas do filme Os Estranhos usam. Eles estavam armados com facas e eu nunca senti tanto medo na vida. Reagir nem passou pela minha cabeça porque eu temi pelo meu bebê (estou grávida de três meses). Só consegui chorar e tocar a minha barriga em uma tentativa inútil de proteger meu filho. Algo esquisito aconteceu a seguir e tudo a minha volta mudou, assumindo outro aspecto. Não sei se é assim que funciona um teleporte na realidade, mas se for, é bizarro porque você não sente que saiu do lugar, mas como se o lugar mudasse, sabe? É como se tudo à sua volta não fosse sólido, mas uma projeção.
           Eu apareci em uma vila, no quintal de uma casa, agachada embaixo de uma janela aberta. O casal se aproximou de mim e me encarou, antes de tirarem as máscaras que escondiam seus rostos. Eles eram adolescentes e deviam ter entre 14 e 16 anos. Eram esquisitos como se estivessem drogados ou tivessem algum retardo normal, ou talvez, o fato de não serem humanos começasse a pesar, mas eles não eram normais. Tudo parecia uma brincadeira - de mau gosto - para eles. Perguntei o que eles haviam feito com minha família e eles responderam que eles estavam mortos. Perguntei o que eles fariam comigo e eles me disseram que esperariam a mãe deles voltar para decidirem, mas que quanto ao meu bebê, eles me fariam ingerir um veneno para matá-lo. Entendi que eles me dariam alguma substância abortiva e fiquei aterrorizada. Me levantei sem fazer movimentos bruscos e me movi pelo quintal. À minha esquerda, havia um pequeno corredor e um portão que levava a outro corredor e outro portão que dava acesso à rua. Eu estava em uma vila simples, mas bem vigiada. Pela janela, vi um casal discutindo, mas por algum motivo não consegui ouvir nada do que eles diziam mesmo eles gritando, exaltados. Talvez, o medo estivesse me deixando maluca. 
      Retornei para perto dos adolescentes e eles estavam revirando uma caixa com alguns pertences que reconheci como sendo meus. Entre algumas bijuterias, eles acharam um livro do Crepúsculo que comprei em oferta, mas nunca terminei realmente de ler porque preferi vero filme e poupar meu tempo. Quando notei o interesse deles pelo livro, fiz uma breve descrição dele, na esperança de que se eu fosse legal com eles, talvez, eles poupassem pelo menos meu filho. O garoto disse que conhecia o filme, mas que ainda não sabia como terminava. Eu perguntei a eles se gostariam de saber como terminava. A garota disse que preferia assistir o filme, mas o garoto se mostrou ansioso e disse que gostaria de saber. Eu disse que diria somente a ele para não fazer spoiler a garota e pedi que ele se aproximasse. Ele se aproximou e eu sussurrei o final do filme no ouvido dele. Ele achou legal e se afastou satisfeito. Eu recuei e olhei novamente para o portão, tentando calcular em quanto tempo eu conseguiria correr até ele e escalá-lo e se seria rápida o bastante ou se me feriria no processo. O homem que estava na casa, discutindo, saltou pela janela e ele dobrou de tamanho, assumindo a forma de um homem obeso e azul, que da cintura para baixo tinha seu corpo feito de névoa azul. Um típico djinn, sem sombra de dúvida. Olhei para os adolescentes e deduzi que eles fossem djinns verdes e então o comportamento maluco deles fez sentido. Fechei os olhos com força e desejei acordar, mas os abri e percebi o que aquele lugar era tão real quanto a minha realidade e que talvez, só talvez, eu não estivesse sonhando. Me lembrei dos djinns do relato anterior e pedi mentalmente a eles que me ajudassem se pudessem. No mesmo instante, eu senti que estava livre e me afastei dos outros djinns que viraram o rosto como se estivessem com medo de algo. Eu fui até o portão e o encontrei quebrado. Estranhei porque não ouvi ninguém quebrando o portão, mas passei por ele e despertei. Me sentei na cama e pisquei várias vezes, com dificuldade em separar o sonho da realidade porque eu podia sentir como aquilo fora real. Espero não passar mais por algo semelhante. ©

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Relato: Visita à vila dos Djinns Azuis


Olá, autoras lindas? Eu sou a Anna Brenda e já sigo o blog há algum tempo, mas só agora reuni coragem para finalmente enviar meu relato, ou o melhor... Relatos, porque é mais de um. Não se preocupem porque enviei todos separados (espero que possam publicar todos no blog). Eles não são longos, mas acho que são bem interessantes e por isso queria compartilhar com vocês.
          Bem, eu cresci vendo Aladdin e já li todo livro de Djinn que consegui encontrar. Até agora, o meu preferido é o Golem e o Gênio, que inclusive recomendo a todos. Apesar dos relatos que já li sobre esses seres, nunca os considerei maus, acho que houve muita injustiça com eles, mas voltando ao relato... Eu acendi uma vela azul à noite e ofereci um pouco de cerveja para eles, expressando meu desejo de atrair um djinn benévolo. Não achei que fosse funcionar. Funcionou, no entanto.
        Sonhei que cheguei em um acampamento em um lugar deserto e fui recebida por um grupo de mais ou menos doze pessoas, não me lembro bem, então, poderia ter sido mais... Eles eram todos bonitos, com a pele muito clara, cabelos negros, e olhos muito azuis que quase brilhavam. Eles se vestiam de forma estranha que só posso pensar em comparar com ciganos, mas não era bem isso... Desculpem? É difícil lembrar de todos os detalhes quando tento. Eles estavam divididos em duas fileiras, dispostos em cada lado como casais. Lembro que eles sorriram para mim e depois um deles tocou algum instrumento enquanto os outros dançaram alegremente. Acho que dancei com eles também. Enquanto eles dançavam, senti uma energia muito boa me preencher, mas durou pouco porque de repente, eles desapareceram, deixando redes e tendas para trás, e eu me vi sozinha em um acampamento no meio do nada. O estranho foi que somente então, eu reparei que tudo parecia abandonado, além de sujo... Tinha fezes espalhadas por toda parte. Eu fiquei com muito nojo. Despertei. Outro dia, quando pesquisava mais sobre djinns, eu li que eles vivem em lugares sujos, é verdade. Eu nem imagino porque eles sumiram, talvez, tenham pressentido a presença de outros djinns que possam ser inimigos deles ou se tratasse de uma ilusão projetada por outro djinn, já que eles são mestres da ilusão. ©


*Nota da Lily:
O relato foi respondido por email.

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