Oi, Dani. Meu nome é Sofia. Conheci o blog há pouco tempo enquanto pesquisava sobre mitologia e coisas relacionadas ao mundo espiritual. Eu sempre gostei de ler sobre essas coisas, mas confesso que nunca levei muito a sério. Mesmo assim, achei os posts muito interessantes e resolvi contar algo estranho que aconteceu comigo há alguns meses. Até hoje eu não sei explicar direito.
Na época eu estava passando muito tempo no celular à noite, lendo artigos aleatórios antes de dormir. Um dia acabei caindo em um texto sobre criaturas chamadas djinn. Eu nunca tinha ouvido falar muito sobre eles antes, apenas aquela ideia vaga de “gênios” das histórias antigas. Mas o artigo dizia que, em algumas tradições, os djinn são seres que vivem em um mundo paralelo ao nosso e que às vezes podem aparecer em sonhos.
Eu achei aquilo curioso, mas também meio absurdo.
Mesmo assim continuei lendo mais um pouco. Alguns relatos diziam que certas pessoas teriam visto djinn em sonhos ou durante estados de consciência estranhos. Quanto mais eu lia, mais parecia coisa inventada da internet.
Lembro que, antes de dormir, joguei o celular na cama e falei em voz alta, meio rindo sozinha:
“Se djinn são reais, eu quero ver um.”
Não pensei mais nisso depois.
Apaguei a luz e fui dormir.
Naquela noite tive um sonho extremamente vívido. Não parecia um sonho comum. Eu estava andando em um lugar que parecia um deserto, mas ao mesmo tempo não era exatamente um deserto. O chão era de areia escura, e o céu estava cheio de estrelas muito brilhantes, mais do que eu já vi na vida real.
Havia também algumas estruturas ao longe, como ruínas antigas ou construções feitas de pedra clara. Lanternas pendiam de alguns arcos e iluminavam o caminho com uma luz suave.
Eu não estava sozinha.
Um homem caminhava ao meu lado.
Ele parecia ter uns trinta e poucos anos. Era alto, tinha cabelo escuro e usava roupas que pareciam antigas, como aquelas túnicas que aparecem em filmes ambientados no Oriente Médio. Ele parecia muito tranquilo, quase divertido com a minha presença ali.
O estranho é que no sonho eu não senti medo.
Era como se aquilo fosse normal.
Ele começou a me mostrar o lugar como se estivesse me guiando em um passeio. Em alguns momentos apontava para coisas ao longe, como jardins iluminados ou prédios com cúpulas arredondadas. Eu lembro de ter pensado que aquele lugar era bonito, mas também um pouco estranho, como se não pertencesse ao nosso mundo.
Em certo momento perguntei onde estávamos.
Ele apenas sorriu.
“Você não reconhece?” perguntou.
Eu disse que não.
Ele respondeu algo como: “Nem todos conseguem ver este lugar.”
Continuamos caminhando por um tempo. O mais estranho é que eu conseguia sentir o vento, a textura da areia sob meus pés e até o cheiro do ar quente. Era muito mais real do que qualquer sonho que já tive.
Depois de um tempo ele parou de caminhar.
Virou-se para mim.
Até aquele momento ele parecia amigável, quase brincalhão. Mas quando olhou diretamente para mim, seu sorriso mudou um pouco. Não era ameaçador, mas também não era o mesmo sorriso leve de antes.
Ele me observou por alguns segundos e então perguntou:
“Você acredita em nós agora?”
Na hora eu respondi quase automaticamente:
“Isso não é real. É só um sonho.”
Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse achando graça da minha resposta.
Então disse algo que até hoje eu lembro com muita clareza:
“Você sabe que é real. Basta apenas dizer que eu venha novamente ao seu encontro. Mas não duvide mais.”
Logo depois disso eu acordei.
Não foi aquele despertar lento de quando saímos de um sonho comum. Eu simplesmente abri os olhos de repente, como se alguém tivesse me chamado.
O quarto estava completamente escuro.
Por alguns segundos fiquei parada, tentando entender o que tinha acontecido. O sonho ainda estava muito vivo na minha cabeça.
Então senti algo estranho.
Um arrepio forte, daqueles que percorrem o corpo inteiro.
E junto com ele veio uma sensação muito clara de que eu não estava completamente sozinha no quarto. Era como se alguém estivesse ali, parado em algum lugar da escuridão, me observando.
Eu tentei ignorar aquilo.
Mas quanto mais eu ficava deitada no escuro, mais forte aquela sensação ficava.
Meu coração começou a bater rápido. Eu não ouvi passos nem vi nada se mover, mas era uma sensação muito incômoda, como quando você tem certeza de que alguém está olhando para você.
Depois de alguns segundos que pareceram muito mais longos, estiquei a mão e acendi a luz do quarto.
No mesmo instante aquela sensação desapareceu.
Não havia ninguém ali.
Mas eu continuei sentada na cama por um tempo, tentando me convencer de que tudo tinha sido apenas um sonho muito vívido.
Até hoje não sei explicar o que aconteceu naquela noite. Pode ter sido só a minha mente misturando as coisas que eu tinha lido antes de dormir.
Mesmo assim, desde então eu nunca mais fiz brincadeiras do tipo “se vocês são reais, apareçam”.
Porque, no fundo, uma parte de mim ainda lembra muito bem da forma como aquele homem me olhou antes de eu acordar.








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