Meu nome é Ana Luiza, tenho 27 anos. Faz tempo que acompanho o seu blog e adoro ele. Sempre leio os relatos, principalmente os que falam de fadas, elfos e coisas desse tipo, mas nunca achei que teria alguma coisa interessante o suficiente para mandar.
Só que tive um sonho há pouco tempo que ficou muito na minha cabeça.
Antes de contar, preciso explicar uma coisa. Eu estava com o pulso machucado quando isso aconteceu. Nada muito grave, mas estava usando uma faixa e evitando fazer força. Acho importante falar disso porque esse detalhe apareceu no sonho também.
No sonho, eu estava em uma casa antiga. Não sei dizer onde era, mas parecia uma casa de interior, daquelas com quintal grande, muro baixo e árvores bem antigas. A casa em si também parecia velha, mas era muito bem cuidada.
Eu estava no quintal com duas mulheres loiras. As duas tinham a pele muito pálida e olhos verdes e aparentavam ter uns 30 anos. Eram parecidas, mas não exatamente iguais. Não sei se eram irmãs. No sonho eu parecia conhecer as duas e me sentia totalmente à vontade perto delas.
Nós estávamos juntando as folhas que tinham caído das árvores.
Lembro que tinha muita folha no chão e nós fazíamos montinhos para depois colocar tudo em algum lugar. Era uma coisa muito simples, quase chata se eu pensar agora, mas no sonho era agradável. Estava fresco e silencioso.
Em determinado momento, olhei para a rua e vi uma mulher chegando.
Ela era alta, ruiva e muito bonita. Bonita mesmo, daquele tipo de pessoa que chama a atenção imediatamente. Também era muito elegante. Não lembro exatamente da roupa, só da impressão que tive de que ela estava arrumada demais para aquele lugar.
Ela parou em frente a uma casa do outro lado da rua.
Então tirou um giz vermelho e começou a desenhar um X enorme no muro da casa.
Eu fiquei olhando porque achei aquilo muito estranho.
Perguntei para as duas mulheres:
— O que ela está fazendo?
Uma das loiras simplesmente deu de ombros, como se não fosse problema dela.
A outra continuou mexendo nas folhas e respondeu:
— Marcando o gado.
Eu achei aquela resposta muito esquisita. Na hora eu nem consegui perguntar o que ela queria dizer porque a mulher ruiva parou de desenhar.
Ela virou o rosto na nossa direção.
Foi como se tivesse escutado.
E eu lembro perfeitamente da mudança na expressão dela. Antes ela parecia tranquila, até indiferente. Quando olhou para nós, estava claramente irritada.
Ela atravessou a rua.
Veio direto até a casa onde estávamos e parou na nossa frente, do outro lado do muro. Eu fiquei sem saber o que fazer porque, apesar de ser um sonho, tudo parecia muito normal até aquele momento.
Uma das loiras se levantou e falou:
— Ela é nossa, vai embora.
A ruiva sorriu.
Foi um sorriso muito estranho. Não era exatamente ameaçador, mas também não tinha nada de simpático. Foi aquele tipo de sorriso que faz a gente entender que alguma coisa está errada antes mesmo de acontecer qualquer coisa.
Ela levantou a mão com o giz vermelho e aproximou o giz da parede.
Nessa hora eu senti medo de verdade.
Levantei uma das mãos e cobri a boca sem pensar.
Foi quando a ruiva olhou para mim.
Só que ela não olhou para o meu rosto.
Ela olhou para o meu pulso.
No sonho, meu pulso estava enfaixado exatamente como estava na vida real.
O sorriso dela desapareceu na mesma hora.
Ela ficou me olhando por alguns segundos e depois se virou para as duas mulheres e disse:
— Com o pulso assim, ela não serve para o que precisamos, fique com sua humana defeituosa.
E simplesmente foi embora.
Eu fiquei meio ofendida, para falar a verdade, apesar do medo. Lembro até de pensar alguma coisa do tipo "defeituosa é você", mas não falei nada.
A ruiva atravessou para a casa ao lado daquela que tinha marcado antes e foi até o muro dela.
Eu continuei olhando, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
Quando me virei para uma das loiras, ela estava sorrindo para mim. Mas era um sorriso completamente diferente do sorriso da ruiva. Era doce, quase carinhoso.
Ela disse:
— Parece fascinante ir com elas mas nunca é de verdade.
Eu ia perguntar o que ela queria dizer com aquilo.
Foi exatamente nessa hora que meu despertador tocou.
Acordei muito confusa e, por alguns segundos, ainda fiquei esperando ouvir a voz dela. Depois percebi que estava no meu quarto e que tinha sido só um sonho.
A primeira coisa que fiz foi olhar para o meu pulso.
A faixa estava lá.
Talvez tenha sido justamente por causa disso que meu cérebro colocou o machucado no sonho. Essa é a explicação mais lógica e provavelmente é isso mesmo. Só que a forma como a ruiva reagiu ao meu pulso foi tão específica que eu fiquei pensando nisso durante vários dias.
Depois comecei a pesquisar.
Eu acho que as duas mulheres loiras eram elfas e que a ruiva era uma fada. É só a minha interpretação, claro. Pelo pouco que pesquisei, existem muitas histórias e tradições diferentes sobre fadas levando humanos, ou até outros seres, para o reino delas. Algumas histórias são bonitas, outras nem tanto.
Por isso fiquei pensando naquela frase: "parece fascinante ir com elas mas nunca é de verdade".
Não sei exatamente o que significava. Talvez a loira estivesse querendo dizer que aquilo que parece bonito para quem vai com elas não é realmente o que parece.
E aí vem a parte mais estranha.
Não foi a primeira vez que sonhei com aquelas duas mulheres loiras.
Eu já sonhei com elas outras vezes. Só que nunca aconteceu nada assustador. Pelo contrário.
Às vezes estamos naquela casa fazendo pão. Em outro sonho, lembro das duas limpando a casa enquanto eu ajudava. Também já sonhei que estávamos sentadas tomando chá e conversando.
Não lembro das conversas inteiras quando acordo. Geralmente ficam só pedaços sem importância, como acontece com qualquer sonho.
O curioso é que nunca me preocupei em perguntar o nome delas.
No sonho isso nem passa pela minha cabeça. Parece que eu já sei quem elas são, mesmo sem saber os nomes. Só depois que acordo é que penso: "Por que eu não perguntei?"
Esses sonhos são sempre muito agradáveis e caseiros. Não tem grandes acontecimentos. É pão assando, chá, louça, pano, janela aberta, coisas assim.
E a sensação é sempre de muita paz.
É difícil explicar porque eu não acordo eufórica nem nada do tipo. Só acordo bem. Como se tivesse passado algumas horas em um lugar tranquilo.
Por isso, se aquelas mulheres realmente forem elfas, com certeza são do bem. Pelo menos comigo sempre foram.
Já a ruiva me deixou uma sensação completamente diferente. Ela era linda, talvez uma das mulheres mais bonitas que já vi em sonho, e justamente por isso acho que havia alguma coisa inquietante nela. Era como se a beleza fizesse parte daquilo que chamava a atenção das pessoas.
Também não consigo parar de pensar que meu pulso machucado pode ter me salvado de alguma coisa naquele sonho. É engraçado pensar assim porque passei dias reclamando da faixa e querendo tirar logo. Depois daquele sonho, comecei a olhar para ela de outro jeito.
Talvez meu cérebro só tenha misturado o que eu estava vivendo com as coisas que já li ao longo da vida.
Pode ser.
Mas agora fiquei muito curiosa sobre elfos.
Estou pesquisando tudo o que consigo encontrar sobre eles, principalmente histórias antigas e relatos, porque quero entender melhor de onde podem ter vindo aquelas duas mulheres que aparecem tanto nos meus sonhos.
E, da próxima vez que eu sonhar com elas, vou tentar lembrar de uma coisa muito simples:
Perguntar os nomes delas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu comentário será publicado logo após nós aprovarmos ele e pudermos respondê-lo. Clique em "Receber notificação" para ser avisado quando seu comentário for postado. (Todos os relatos são respondidos por e-mail antes de serem postados aqui.)