domingo, 12 de fevereiro de 2012

Morrigan

      Morrigan(terror ou rainha fantasma), também descrita Mórrígan (grande rainha), Aka Morrigu, Mórríghean, Mór-Ríogain) é uma figura da mitologia irlandesa (céltica) que aparenta ser uma divindade, embora não seja referida como deusa nos textos antigos. Representada comumente como uma figura terrível, nas glosas dos manuscritos medievais irlandeses como uma equivalente a Alecto- uma das fúrias na mitologia grega . De fato, um dos textos refere-se a Lamia como "Um monstro de formas femininas, uma Morrigan"- ou ainda como o demônio hebreu Lilith.   Associada com a guerra e a morte no campo de batalha, algumas vezes é anunciada com a visão de um corvo sobre carcaças,( premonição de destruição) ou mesmo com vacas. Considerada uma divindade da guerra, comparável às Valquírias da mitologia germânica, embora sua associação com o gado bovino permita também uma ligação com a fertilidade e o corpo . É com freqüência vista como uma divindade trinitária, embora as associações desta tríade variem: a mais freqüente dá-se de Morrigan com Badb e Macha- embora algumas vezes incluem-se Nemain, Fea, Anann e outras. As mais antigas narrativas de Morrigan estão nas histórias do "Ciclo do Ulster" ,onde ela tem uma relação ambígua com Cúchulainn. No Táin Bó Regamna (invasão do gado em Regamain), ele a desafia sem compreender o que ela é, quando ela guia uma novilha por seu território, tornando-se seu inimigo. Ela profere uma série de ameaças, predizendo finalmente uma batalha próxima onde será morto. Ela diz enigmaticamente: " Eu vigio sua morte". No Táin Bó Culaienge a Rainha Medb de Connacht comanda uma invasão ao Ulster para roubar o touro Donn Cuailng. Morrigan surge ao touro em forma de corvo, e o previne para fugir. Cúchulainn defende o Ulster, travando num vau dum rio uma série de combates contra os campeões de Medb. Entre os combates,Morrigan lhe surge, com aparência de uma bela moça,oferendo-lhe seu amor e auxílio na batalha-mas ele a rejeita. Como vingança, ela interfere em seu próximo combate, primeiro assumindo a forma de uma serpente, fazendo-o tropeçar; depois, com a forma de um lobo, provocando um estouro da boiada,e finalmente como uma novilha que conduz o rebanho em fuga-tal como havia  ameaçado em seu primeiro encontro. Cúchulainn é ferido por cada uma das formas que ela assume,mas, apesar disto,consegue derrotar seus oponentes. Ao final, ela reaparece-lhe, como uma velha que trata-lhe os ferimentos causados por suas formas animais, enquanto ordenha uma vaca. Ela oferece a ele três copos de leite. Ele a abençoa por cada um deles, e suas feridas são curadas. Numa das versões sobre o conto da morte de Cúchulainn, falando como ele enfrenta seus inimigos, diz-se que este se encontra com Morrigan como uma velha que lava sua armadura ensangüentada à margem do rio-Um presságio de morte. Depois, mortalmente ferido, Cúchulainn amarra-se a uma pedra com suas próprias entranhas, para assim poder morrer em pé... Somente quando um corvo sobre seu ombro é que os inimigos acreditaram que ele estava morto.  Morrigan também aparece em textos do chamado"Ciclo Mitológico"celta. Na compilação pseudo-histórica Lebor Gabália Érenn, do século XLL, ela está listada entre os Thuada Dé Danann, como uma das filhas de Ernmas, neta de Nuada. Morrigan é freqüentemente considerada como uma deusa trina, mas a sua suposta natureza tripla é ambígua e inconsistente. Às vezes, surge como uma das três irmas, as filhas de Ernmas: Morrigan, Badb e Macha. Por vezes a trindade consiste em Badb,Macha e Nemainn- coletivamente conhecidas como Morrigan ou , no plural, como as Morrigans. Ocasionalmente Fea ou Anu também surgem, em várias combinações. Morrigan,porém, muitas vezes aparece só, e seu nome por vezes é transmutado para Badb,sem a terceira "Forma mencionada". Morrigan é usualmente tida como  "deusa guerreira : W.M.Hennessey,em sua obra A Antiga deusa irlandesa da guerra,escrita em 1.870,foi influênciado por esta interpretação. O seu papel envolve freqüentemente a morte violenta de determinado guerreiro,ao tempo em que é sugerida uma ligação com a Banshee ( espécie de fada) do folclore posterior. Está ligação torna-se mais evidente no livro de Patricia Lysaght (The Banshee: The Irish death messenger-Banshee; A mensageira irlandesa da morte- pag.15). "Em certas áreas da Irlanda encontra-se este ser fantástico que,  além do nome feérico, também é chamada de Badb.    Imaginem uma mulher alta, cabelos castanhos escuros longos até a cintura que serviam de uma espécie de "capa" sobre os ombros,olhos penetrantes tão negros quanto a noite, pele branca quase translúcida e corpo de músculos bem delineados que não deixavam de revelar encantos femininos sem par e fazer qualquer um nos prazeres carnais que ela poderia oferecer. Agora, não se deixem enganar por sua bela aparência, pois de trás dela há uma guerreira implacável, caçadora das mais hábeis,mestra no manuseio de qualquer arma e invencível no combate por sua força descomunal e invulnerabilidade. Aliás, em qualquer batalha, seja entre deuses e mortais, lá estava ela liderando tropas com um grito de guerra tão alto, quanto o de dez mil homens e plenamente armada até os dentes onde se destacava em sua indumentárea de combate as duas lanças da mais pura prata que carregava nas mãos ( quando lançadas capazes de partir ao meio o avanço de um exercito inimigo e destroçar em pedaços  quem estivesse mais próximo). Ela também tinha poderes mágicos como o de cegar os inimigosjogando sobre o campo de batalha uma névoa penetrante como também dotada do dom de mudar de forma humana para a de um corvo carniceiro, lobo ou mesmo de uma anciã de aparência bem inocente. Conhecendo bem tanto o poder curativo das ervas e raízes quanto a maneira de usá-las como um veneno mortal. esta ,em pocas palavras é a destruição de morrigan. Ao seu lado seguindo-a para todo lado como um séquito de uma rainha, haviam as suas não menos importantes irmãs: Fea ( chamada de a Odiosa), Nemon ( conhecida também popularmente como a venenosa), Badb (atendendo pelo apelido sugestivo de a Fúria) e Macha.  Nemon e Fea eram ambas esposas do famoso Nuada da mão de prata, um dos reis dos Thuatha de Danann( povo da deusa Dana) que em combate em Sreng dos Fir Bolgs ( antigos habitantes da Irlanda e tribo aliada dos Fomorianos) teve a mão decepada e depois substituida por uma mão de prata feita através das incriveis habilidades de Diancecht (deus gaélico da medicina) até ser restituida por Miach e Airmid (filhos de Diancecht) ; em poder, se comparavam juntas a força de Morrigan.  

Macha regia os pilares nos quais eram empaladas as cabeças dos guerreiros mortos em combate para qual eram feitos pelos celtas o culto da cabeça na ideia de ser assim capaz de capturar o espírito do inimigo. Diziam que Macha vivia a cantar nos campos de batalhas, com uma voz bela e magnética que tinha o poder de enfeitiçar os inimigos e levá-los a loucura a ponto de cometerem o suicidio. Por sua vez, Badb vinha com suas irmãs para animar os combatentes dos quais estavam ao seu lado na batalha para assim inspirá-los para ficarem cada vez mais ferozes, afastando o medo da morte, do coração e o receio da derrota. Era individualmente a irmã mais próxima no contato com Morrigan, atuando como sua conselheira e confidente, Curiosamente A Grande Rainha, sempre vitóriosa no combate, acabou pelo amor não correspondido de Cúchulainn, sendo atingida de uma forma mais dolorosa do qualquer ferimento obtido em batalha. assim, ironicamente, o amor foi a arma que finalmente derrotou a invencível Morrigan.  Morrigan assumiu ao longo do tempo caracteristicas mais que tipicamente vampirescas na qualidade de "Rainha Fantasma" ou "Rainha dos mortos-vivos", só que ao contrário do famoso Drácula que virava morcego, tinha o poder de se transformar em um lobo ou corvo antes de atacar suas vítimas,  Crê-se que Morgana como personagrm nas lendas Arturianas, considerada uma vilã em algumas versões e aliada de Arthur em outras, seja em verdade inspirada em Morrigan. Estudiosos sustentam que Macha era uma divindade de culto nativo na Irlanda bem antes da chegada dos celtas na região, sendo venerada nos templos de Emain Macha em Ulster. Outros pesquisadores equiparam Macha à deusa asiática MAcha Alla ou Machalth (Senhora da vida e da morte) bem como a deusa hindu Durga. As irmãs de Morrigan, deusas originalmente, foram posteriormente equiparadas com as Parcas dos mitos gregos, indo em busca das almas errantes, principalmente nos campos de batalha, sendo chamadas assim de "Banshees".

Veja também:

2 comentários:

Aragolt disse...

Parabéns pelo texto.Você segue a Wicca?Se sim,é a Wicca das fadas?Pois estou muito interessado nessa tradição,apenas para curiosidade.Agradeço já

Daniele Araujo disse...

Obrigada Aragolt!
Eu sou uma praticante solitária da Wicca eclética. Mas não é nada sério. Eu gosto mais de estudar magia do que praticar.

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