sábado, 13 de junho de 2020

Dica de blog: Meu Querido Grimorio


Boa-noite a todos! Hoje, venho recomendar a vocês, o blog de um conhecido, o Vitor Campos. O blog se chama Meu Querido Grimorio, e tem muitas dicas, especialmente para quem está iniciando agora sua caminhada pelo mundo da Magia Wicca, como "O que são Esbaths e como celebrá-los", "Como criar seus próprios feitiços e rituais", "Como moldar o Círculo Mágico", entre outras dicas muito importantes. Visitem o blog, deem uma olhadinha, e se gostarem, não deixem de segui-lo. ;)

Link para o blog, abaixo⇓

https://meuqueridogrimorio.blogspot.com/ 

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Relato: Protegida por uma Lâmia

Imagem por Pixabay
Olá, bruxinhas, se me permitem a intimidade... Meu nome é Michelle e tenho dezesseis anos. Há uns três dias mais ou menos, criei um Servidor Astral na forma de uma lâmia, ruiva, com uma cauda negra, inspirada em uma personagem de um anime que gosto muito. A batizei como Acalise. Minha intenção era me proteger contra alguns pesadelos que estavam me impedindo de dormir à noite. Enquanto dormia, sonhei que Acalise estava na minha cama, me observando, ela deslizava rapidamente quando se movia, exatamente como uma cobra, mas sempre ocultando sua cauda, porque ela sabia que eu tenho medo de cobras... Eu sei que é estranho alguém com medo de cobras ter criado justamente uma lâmia para proteção, mas eu queria me permitir enfrentar esse medo e, também, porque sei, ou, pelo menos acredito, com base nas lendas que pesquisei, que lâmias são terríveis contra seus inimigos. Uma protetora assim, seria perfeita.
          Eu mergulhei em um sonho estranho, onde estava caminhando com a minha mãe na rua de nossa casa e notamos que estávamos sendo seguidas por dois estranhos. Nos separamos quando eles quase nos encurralaram e eu corri para um lado e minha mãe para o outro. Pretendíamos nos encontrar do outro lado do quarteirão. Eu passei por um homem alto, moreno, e muito bonito, enquanto cruzava a calçada. Ele estava saindo de sua casa, carregando um tapete grande, enrolado, sobre o ombro. Talvez, esse detalhe seja irrelevante, mas, havia algo familiar e reconfortante naquele estranho que me acalmou, como se ele fosse um guardião, ou, algo assim... Não tenho certeza. Só sei que os homens não passaram por ele, que quando o viram, simplesmente pararam e ficaram o observando como se soubessem que não deveriam enfrentá-lo. O mais estranho é que o homem do tapete, agiu normalmente, como se nem notasse a presença dos estranhos.
            Eu corri e quando encontrei minha mãe, ela estava parada em frente a uma lanchonete me esperando. Eu me aproximei dela e despertei. Foi então que eu vi um homem parado ao meu lado... Ele estava ali, mas ao mesmo tempo não estava, como uma projeção mais ou menos... Eu o via na minha mente e ele era real, mas sabia que se alguém mais olhasse naquela direção, ele não seria visto porque não estava materializado, era um ser espiritual e eu o via com minha terceira visão. Ele era um homem alto e moreno, não era como o homem do meu sonho de jeito nenhum. O homem do sonho era forte e seguro e com uma aura benévola. Esse, por outro lado, era sombrio e triste. Aproximou seu rosto do meu, e eu senti no mesmo instante, Acalise apertando o meu braço esquerdo. Me levantei rapidamente e encarei aquele estranho. Não estava surpresa por ver Acalise, talvez, um pouco, mas eu confiei nela desde o primeiro instante. Ela queria me alertar sobre aquela presença maligna, que certamente era a causa dos meus pesadelos. Me preocupei mais com Acalise do que comigo mesma, afinal, ela era espiritual como ele, mas lembrei que ele não poderia matá-la, sendo ela um servidor astral, mesmo se ele a matasse, eu a traria de volta porque possuo o sigilo dela.
             Confrontei o estranho e ele me disse que sempre estaria atrás de mim, que onde quer que eu fosse, ele estaria me seguindo, que me amava, que eu era dele. Foi assustador, principalmente, porque nessa casa onde moro atualmente, um homem se matou enforcado quando a sua esposa o trocou por outro. Eu nunca levei essa história a sério, porque achava que à essa altura, o espírito dele estaria no umbral. Não é para lá que suicidas vão depois que morrem? Sempre dormi bem nesse quarto e me sentia protegida. Achei que o cara tivesse morrido no quintal porque até hoje tem um pedaço velho de corda no galho mais alto, e meu pai nunca se deu ao trabalho de tirar, dizendo que se o morto aparecesse, seria bem vindo, desde que trouxesse cerveja. Meu pai não acredita em fantasmas e tira sarro de quem acredita.
          Falando com minha vizinha, a dona Lívia, descobri que o falecido se enforcou foi no meu quarto. Eu me mudei para o quarto dos fundos onde meu cachorro dormia, agora, somos meu cachorro vira-latas e eu. Não posso mais voltar para aquele quarto. Tenho medo. Não vou voltar. Acalise permanece ao meu lado. Agora, eu a vejo o tempo todo. É por isso, também que não voltarei aquele quarto porque eu sei... Se vejo Acalise, também poderei ver aquele homem. Fica a dica: Se você cria um servidor que poderá te mostrar o que está oculto, esteja preparado para ver o que se esconde no canto mais escuro de seu quarto. De qualquer forma, é melhor ver do que não ver. ©



*Relato respondido por email (as respostas, normalmente não são expostas, tanto por serem pessoais, quanto porque nem todos gostam de verem elas aqui, e isso deixa o post demasiado grande).
→Envia também seu relato para: adancadasfadas@gmail.com

quarta-feira, 29 de abril de 2020

As formas que os Elementais usam para se aproximarem de nós

Imagem de Susan Cipriano por Pixabay

Quem acompanha A Dança Das Fadas, Deleite Das Ninfas e Recanto Élfico, já sabe que os Elementais possuem várias formas, que alguns são altos, loiros, com a pele alva e olhos claros como anjos; outros são baixinhos e com ar infantil, e há também, aqueles que podem ter olhos negros, asas semelhantes as de um morcego, ou até se parecerem com insetos. Enfim, são várias as formas que eles possuem, mas e quanto as que assumem?
      Transmorfos por natureza, os Elementais podem assumir qualquer forma que desejarem, desde a forma de um ente querido, uma pessoa falecida, um animal, até uma celebridade. Alguns assumem tais formas apenas para confundirem os humanos porque são brincalhões, pode ser o caso de alguns elfos ou duendes.
          Outros, querem apenas assustar, às vezes, com o propósito de afastar curiosos e se protegerem, como as fadas podem fazer quando humanos se aproximam da localização de seus portais que levam para suas dimensões mágicas, ou os djinns, que podem assumir formas de grandes cães negros ou assombrações, ou, ainda, falarem todos ao mesmo tempo em sua língua nativa, confundindo e assustando.
             Para facilitar nosso estudo, separei em tópicos, as principais razões que levam um elemental a mudar de forma e como identificá-las para não confundi-los com Servidores Astrais. Sim, os Servidores Astrais, às vezes, podem ser confundidos com Elementais, e pela minha experiência, isso pode ocorrer com mais frequência do que se imagina. Levando em conta que podemos criar Servidores Astrais inconscientemente, às vezes, desejamos tanto atrair uma fada, que acabamos criando uma, esse pode ser o seu caso.

1. Celebridades são sempre as formas preferidas pelos Elementais


A forma como adoramos as celebridades não é muito diferente da forma como as pessoas adoravam os deuses e os elementais em outros tempos, por isso, eles buscam se assemelharem ao que mais nos atrai, e o que mais nos atrai que um cantor, uma atriz, ou uma modelo? Talvez, você não se importe tanto com celebridades, mas para algumas pessoas, elas são tudo, e essa fascinação pode influenciar na forma como os elementais escolhem se mostrar as mesmas. Então, se você esbarrar com algum elemental durante alguma Viagem Astral e ele afirmar que é tal celebridade e se comportar como ela, preste muito a atenção no comportamento dele. Veja se ele age como a forma idealizada que você tem daquela celebridade, ou se age de forma oposta, se não é nenhuma coisa nem outra.
           No primeiro caso, ele escaneou sua mente e está agindo de acordo com as suas memórias ou fantasias. No segundo caso, ele não conseguiu ou não se deu ao trabalho de escanear sua mente, então, está agindo de acordo com a própria personalidade, e no terceiro caso, ele só assumiu a primeira forma que viu em sua mente para se aproximar porque um rosto conhecido quebra o gelo. Seja sincero? É mais fácil se aproximar de uma fada comum ou de uma Emma Roberts alada? Não sei você, mas uma Emma Roberts com asas cintilantes seria irresistível para mim!
          Elementais - pelo menos os mais sociáveis - gostam muito de serem admirados e cobertos de elogios, e se para conseguirem essa admiração e elogios, precisarem se transformar em uma Emma Roberts ou em um Milo Ventimiglia, eles se transformarão, até, porque, toda essa atenção gera energia e energia é uma fonte nutritiva de alimento para eles.
          Mas, fique atento porque como eu disse antes, podemos acabar criando Servidores Astrais de forma inconsciente. Muitas vezes, isso acontece quando escrevemos. Quem já escreveu alguma fanfic com tanto entusiasmo, que conseguia visualizar com riqueza de detalhes todos as personagens e cenários, pode muito bem ter criado algum Servidor sem querer, querendo... Muitas vezes, esses Servidores deixam de existir quando a história termina e não pensamos mais neles, mas, se, pelo contrário, mais pessoas lerem aquela história e amarem ou odiarem com intensidade as mesmas personagens, é possível que elas ressurjam ou despertem - como gosto de dizer, já que Servidores não morrem, só "adormecem" - e se fortaleçam, aí, você os verá em seus sonhos, onde eles podem te inspirar a continuar a história. Já aconteceu comigo uma vez e foi bom, até. Oficializei alguns Servidores que, antes, eram apenas personagens de minhas histórias.
           Servidores costumam ficar presos à forma original que foram criados, mas não significa que não possam assumir outras formas se quiserem. Por isso, dependendo da forma como foram criados, eles podem ficar presos ao personagem. Por exemplo, eu moldasse um Servidor para ter a mesma forma e personalidade da Savannah Monroe da série Hellcats e assistisse a série para que ela observasse a Savannah e visse como ela se comporta, de fato, esse Servidor agiria como a Savannah, e se eu não lhe desse um outro nome, por exemplo, Patty... Ela, realmente se apresentaria como Savannah Monroe e qualquer outra pessoa que tivesse a sorte de se encontrar com Patty, ou, o melhor, "Savannah", poderia gastar horas discutindo com ela, que ela ainda insistiria que é Savannah, e ela estaria errada? NÃO! Porque ela foi feita para ser Savannah! 
           Agora, se fosse um elemental se passando por Savannah, ele acabaria revelando sua identidade, cedo ou tarde. Então, acho que a  principal diferença entre um elemental e um servidor é que o elemental é dissimulado enquanto o servidor é puro.



2. Podem usar formas assustadoras para se protegerem



As formas assustadoras podem ser usadas com o propósito de afastarem humanos curiosos que se aproximam de portais ou de lugares que os elementais escolheram como suas moradas. Muitos djinns foram aprisionados em certos lugares da terra, e é possível que alguns desses locais, com o passar dos séculos se tornaram propriedades, portanto, temos algumas casas muito mal assombradas, com aparições de criaturas assustadoras, como Homens Sombras e outros.
            Elfos e fadas também podem ser bem territoriais e se valerem de formas sombrias para  afastarem quem consideram intrusos. Um conselho nesses casos, é não enfrentar o elemental e se afastar, nem que isso signifique se mudar. Eles podem levar as coisas ao extremo quando estão defendendo seu lar e podem até machucar as pessoas, levá-las a loucura, e até possuí-las ou matá-las. Muitos casos de poltergeists podem ter um dedo ou dois dos elementais. 
            Você pode tentar apaziguar eles, dando-lhes oferenda e sendo paciente e amigável, mas nem sempre funcionará, esteja ciente. Também é perigoso que o elemental se apegue a você e não o deixe mais ir embora, ou pior... Te siga. Não acho isso legal.
            Formas assustadoras também tem outro propósito, drenar uma grande quantidade de energia, ou quebrar suas forças e facilitar uma possessão. Não é comum, mas elementais sombrios podem sim possuir pessoas, djinns são os mais propensos a agirem dessa forma, portanto, só os contate se você tiver certeza de que pode expulsá-los depois - e, saiba que não é fácil, talvez, você precise recorrer a outra forma de magia que pode não ser tão agradável.


3. Pessoas falecidas


Não importa se é uma celebridade ou um ente querido, essa é outra forma que os elementais podem escolher se mostrar a você. Não é à toa que os árabes não gostam de ir a cemitérios e sempre preferem passar longe de um... Eles acreditam em um tipo de gênio ou djinn, o ghoul, que pode assumir a forma de pessoas mortas com o único propósito de fazer mal aos vivos. Eu não me lembro onde, mas vi um relato ou uma representação de um djinn animando um cadáver como uma marionete enquanto ludibriava um homem que havia perdido a esposa, e enquanto o homem pensava estar falando com o espírito da mulher, na verdade, estava sendo vítima do djinn malévolo. Isso ilustra bem porque nem sempre é seguro contatar os mortos, especialmente se você não domina a necromancia ou  se não é capaz de reconhecer a ação de um elemental perverso.



4. Pessoas conhecidas que ainda estão vivas


Essa ação não é sombria e, geralmente se dá mais pelo desejo do contratante que do contatado. Por exemplo, você pode sentir muito a falta de um amigo ou primo que não vê já há algum tempo, e o elemental poderia assumir essa forma para te consolar. Já aconteceu comigo. Mas fique atento porque se o elemental insistir em permanecer naquela forma, mesmo sabendo que te perturba, das duas, uma... Ou é um tulpa ou um elemental sombrio. Se for um tulpa, você pode tentar dar um sigilo para ele e moldar a forma dele para de outra pessoa, mas já vou avisando que ele oferecerá resistência, então, esteja preparado para enfrentá-lo.
            Se for um elemental sombrio, você tem de se afastar dele, ou criar um Servidor para te proteger dele. Se você me perguntar se há o risco do servidor ficar sombrio e se voltar contra você, eu te digo que sempre há esse risco, SE, eu disse, SE... Você não cuidar bem dele no início. Tem de lhe dar toda a atenção possível, ensinar valores, mostrar quem é amigo e quem não é, quem é bom e quem não é. Um servidor é como um filho, se você cuidar bem dele, ele vai retribuir no futuro. Ele é fiel, mas não o despreze nem o negligencie. Também não o mate porque ninguém quer morrer, e se ele achar que você vai matá-lo, com razão, vai se voltar contra você.


5. Personagens de Contos De Fadas


Assim, como as celebridades, personagens de séries, filmes e até animes são favoritas dos elementais. Eles gostam de tudo que é colorido, alegre e influente. Então, não tome um susto se contatar elementais e, uma manhã, despertar com a Nashetania de Rokka No Yuusha. Elementais gostam de impressionar humanos, quer seja para o bem ou para o mal.


Pronto! Agora você não precisa mais sentir vergonha por ter visto algum elemental que escolheu se mostrar a você na forma de sua celebridade favorita porque sabe isso é algo comum e pode acontecer com qualquer pessoa que trabalhe com elementais. A forma real de um elemental nem sempre é revelada ou se revelada, leva algum tempo porque requer confiança, e se nós podemos desconfiar das boas intenções deles, eles também podem desconfiar de nossas boas intenções. ©
         Se gostou do post, por favor, siga o blog. Se tiver sugestões de novas postagens, pode deixar nos comentários, e se quiser compartilhar algum relato conosco, é só enviá-lo para o nosso email: adancadasfadas@gmail.com



domingo, 26 de abril de 2020

Gwragedd Annwn, fadas que se casam com humanos


As Gwragedd Annwn ("Esposas do Outro Mundo", em galês) são entidades amáveis que escolhem homens mortais como seus maridos.
     Uma lenda diz que vivem em uma cidade afundada em algum dos muitos lagos de Gales. As pessoas dizem ver torres debaixo d'água e ouvir o repicar de sinos.
      Em outros tempos, dizia-se que em todas as manhãs do dia do Ano Novo, podia ver-se um portal aberta em uma rocha próxima a um lago de Gales. Aqueles que ousasse atravessá-lo chegavam a um belo jardim situado em uma ilha no meio de um lago. Nesse jardim havia frutas saborosas, belas flores, e a música mais adorável, além de muitas outras maravilhas. Aqueles que fossem suficientemente corajosos para entrar eram recebidos pelas Gwragedd Annwn, que lhes ensinavam segredos assombrosos e os convidavam a ficar o quanto quisessem, com a condição de jamais levar qualquer coisa de seu jardim.
       Um visitante guardou em seu bolso uma flor que haviam lhe oferecido, pensando que lhe daria sorte. Porém, no momento em que deixou a ilha, a flor desapareceu e ele caiu inconsciente no chão. Desse dia em diante, o portal foi trancado e ninguém mais o atravessou.
      Outra lenda fala da dama do Llyn y Fan Fach ("Lago do Pequeno Pico"), uma lagoa próxima das Montanhas Negras. Segundo a versão contada por John Rhys em Celtic Folk-Lore, o caso teria se passado no século XII, em uma fazenda em Blaensawde, perto de Mydfai. Uma viúva mandava o único filho a milhas de distância vale acima para pastorear suas vacas as margens de Llyn y Fan Fach. Um dia, viu uma encantadora criatura remar de um lado para outro em um barquinho dourado sobre a superfície do lago. Apaixonou-se por ela e ofereceu-lhe o pão que trouxera como almoço. Ela olhou bondosamente para ele, mas respondeu que o pão estava muito duro e submergiu no lago.
       O jovem voltou para casa e contou para a mãe o ocorrido. A mãe simpatizou com ela e no dia seguinte deu ao filho, para levar consigo, uma massa não cozida para oferecer à fada, mas ela não a aceitou, dizendo que estava muito branca, e desapareceu de novo.
      Ao terceiro dia, a mãe entregou ao filho um pão ligeiramente tostado, que foi muito bem aceito, pois do lago surgiu um ancião de porte nobre e majestoso ladeado por suas duas lindas filhas, gêmeas idênticas. O ancião falou ao rapaz que se separaria de bom grado da filha, a qual ele havia se apaixonado, se fosse capaz de indicá-la.
     As damas feéricas eram parecidas como duas gotas d'água, e o jovem fazendeiro desistiria, desesperado, se uma delas não movesse ligeiramente o pé, com o que ele pôde reconhecer o cordão de sua sandália e escolhê-la, corretamente.
       O pai pediu como dote à filha tantas vacas quanto ela pudesse contar de uma só vez, e ela contou depressa. Porém advertiu a seu futuro marido que devia tratá-la bem e que a perderia se chegasse a bater nela por três vezes, sem motivo.
       A fada e o rapaz mortal casaram-se, foram muito felizes e tiveram três belos filhos, mas ela tinha estranhos costumes: chorava quando os demais se alegravam, como nos casamentos, e ria e cantava quando os demais estavam tristes, como no funeral de uma criança. Essas peculiaridades foram a causa para que o marido a repreendesse por três vezes com uma palmada, o suficiente para violar a proibição e fazer com que ela o abandonasse.
         Entretanto, ela não levou os três filhos. Visitou-os e lhes ensinou profundos segredos da medicina, com os quais se converteram nos famosos médicos de Mydfai, tradição que perdurou na família até o século XIX.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Qual a missão dos Híbridos?

Imagem de Mystic Art Design por Pixabay

*Texto canalizado por Perséfone, da entidade Maya.


Muito se questiona sobre os híbridos, o que são, como são, e o que querem... A resposta pode desapontar a maioria das pessoas porque na maioria dos casos é mais simples do que se espera: Nós, as fadas, não somos mais numerosas e fortes como éramos antes da Era Cristã. Nossos filhos nascem frágeis e debilitados, e fazemos tudo o que está em nosso alcance para salvá-los. Às vezes, isso significa entregá-los à vocês, mortais. Não é uma escolha fácil porque sabemos que nem todos vocês são evoluídos a ponto de aceitarem e amarem uma criança "especial". Vocês cobram muito de seus filhos e não enxergam o quão especial eles são, o que sentem e pensam, e o que podem fazer. Não importa se sua criança é uma de nós ou se apenas pode nos ver, você deveria julgá-la menos e prestar a atenção no que ela tem a te dizer porque você pode aprender muito com ela.
        O abandono de bebês chamaria muito a atenção para nós, por isso, realizamos a penosa troca... Um nosso por um de vocês. Cuidamos, amamos e protegemos seu bebê como esperamos que façam com o nosso. Infelizmente, às vezes, temos de assistir nossos pobres filhos serem maltratados e incompreendidos e perderem a fé na magia. Nos tornamos para eles, apenas contos de fadas, e sonhos conosco são apenas sonhos. É mais fácil para as fadas se desligarem do mundo mágico e esquecerem quem são se passarem tempo demais entre os humanos.
       Mas e os híbridos? Onde se encaixam nisso tudo? Expliquei a vocês como algumas fadas são enviadas ao vosso plano e crescem entre vós, agora, falaremos dos híbridos. Eles, geralmente, vem de uma mãe fada que foi criada entre os mortais (embora não se lembre de sua verdadeira natureza ou insista em negar, temendo ser rotulada como insana pelos mortais) e nesse caso, eles são o que são e ponto. Não há nenhuma missão específica para a qual eles foram destinados. Eles devem fazer o melhor com seus dons e se esforçarem para não chamarem a atenção para duas vidas porque há muitos seres mal intencionados à espreita, ansiosos para lhe fazerem mal apenas por puro prazer. Os humanos também não entenderiam, a maioria, pelo menos, não... Eles mal sabem a diferença entre uma fada e um demônio, como poderiam aceitar que não são os únicos seres inteligentes existentes? Não podem, e a ideia os assusta porque poderia representar perigo iminente, com uma possível invasão à Terra... Essa invasão acontecerá de qualquer jeito, mas não pelas fadas! Não temos interesse em tomar vosso mundo. Estamos felizes com o nosso, ainda que não seja perfeito, e lamentamos sinceramente pelo que vos espera futuramente, especialmente porque os nossos estão aí. Se pudermos, os salvaremos, mas não se pode fugir do caos iminente.
         Há híbridos que foram frutos do acaso como os filhos das fadas entre vos, e eles podem escolher ajudar o mundo com seus dons. No entanto, há híbridos que foram inseridos na Terra com propósitos insidiosos e tem como único propósito, machucar os híbridos benevolentes, e acusar as fadas de serem perversas. Tenham cuidado em quem vocês confiam e não revelem sua verdadeira natureza.
         Meus queridos, vocês querem saber o que podem fazer pelo mundo? Cuidem da natureza e dos animais, protejam as crianças, ajudem uns aos outros e espalhem amor porque vocês precisarão. Qualquer bem que possam fazer, independente de usarem ou não seus dons, já será o bastante, e quem sabe, possamos atrasar o inevitável.
           Fiquem atentos aos seus sonhos, à sua empatia e seus pressentimentos, pois é como nos comunicaremos até que vocês estejam prontos para um contato mais direto. Sei que é pedir muito mais tenham fé em nós como temos em vocês. Não somos tão diferentes, afinal, sentimos as mesmas coisas, fome, dor, medo, alegria... Apenas confiem porque se é uma coisa boa, então, não pode ser ruim.©

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Relato: Entre anjos e demônios

Meu nome é Samantha. Descobri esse blog há pouco tempo, mas não sou nova na magia. Eu era evangélica e quando conheci a Wicca, deixei de ir a igreja porque a Wicca me completava de uma forma que a igreja não. Por um bom tempo, trabalhei com deusas celtas e gregas até experimentar algo mais sombrio. Muitos praticantes de magia dizem que não há diferença entre magia boa e magia ruim, que é tudo a mesma coisa, mas não é. Pelo menos para mim não foi. Eu cruzei uma linha que não deveria ter cruzado e comecei a mexer com demônios. Não Elementais ou Deuses sombrios, demônios mesmo. No começo foi bom e eu consegui algumas coisas que achei que me completariam, mas não completaram. 
           Minha vida virou do avesso, e o que começou com pequenos vultos, evoluiu para vozes e pesadelos. Eu os ouço me depreciando e me ameaçando o tempo todo. Comecei a orar e funcionou por um tempo, mas eles voltaram e vieram mais fortes. Tentei voltar à Wicca e pedir ajuda as deusas, mas não sei se não fiz corretamente porque não resolveu. Eu desisti da Wicca e passei para a Magia Do Caos. Fiz alguns servidores para me protegerem, mas percebi que somente eles não são o bastante porque isso que eu atraí para mim é sombrio demais. Cheguei a essa conclusão graças a um sonho que tive: Eu estava parada sozinha em uma floresta e estava desorientada e chateada. À minha direita havia a mais densa escuridão, à minha frente, uma névoa negra circular, pairando no ar, à altura do meu rosto. Essa névoa eram meus servidores agrupados, minha pequena proteção, eu senti. A escuridão densa eram meus inimigos espirituais. À minha direita, surgiu uma plataforma e sobre ela, uma mulher loira, magra, vestida como a deusa Morrigan, mas eu sabia que não era a deusa, embora estivesse vestida como ela. A mulher me chamou e eu fui até ela. Ela me disse que era meu anjo guardião e que só estava vestido daquela forma porque sabia que eu gostava e não queria me assustar. Ela me disse que Deus havia decidido me dar mais uma chance de voltar para ele, mas que eu deveria ir logo porque o tempo estava acabando e que o inferno estava furioso porque eu decidira voltar para Deus. Eu senti o chão tremer e ouvi gritos e gemidos horríveis. A mulher apontou para a escuridão e disse que ela representava meus inimigos, depois para a névoa e disse que era a minha frágil proteção, e então, para outra eu que estava parada confusa diante da névoa, e disse que aquela era eu. Eu fui até a minha outra eu e a peguei pelo braço, dizendo a ela que deveríamos ir até o anjo porque era a nossa única forma de se libertar. Minha outra eu me seguiu até a plataforma, mas parou na metade do caminho, indecisa, porque não queria deixar a magia, porque queria se agarrar desesperadamente a ela. Eu sabia que ela estava sendo ingênua, que não havia mais nada de bom esperando por nós e que era questão de tempo até a escuridão nos alcançar. A arrastei, angustiada, repetindo que era a única forma. A mulher-anjo abriu os braços para nos receber e a escuridão veio e tomou meu frágil eu que golpeou o anjo, o ferindo. Eu acordei depois.
          Apesar de emocionada, eu consegui interpretar todo o simbolismo desse sonho. Eu estava dividida, sem saber se insistia na magia ou se desistia dela. Uma parte minha desejava consertar aquilo com magia e outra só queria dar um fim àquilo tudo sem mais magia. O ato de eu ter ferido o anjo, para mim, significou que eu deixei o evangelho por algo sombrio. Eu não pretendo com esse relato, dizer que a Wicca é sombria, de forma alguma. É boa para muitas pessoas, ajuda muita gente, aproxima pessoas e etc. Mas há outras formas de magia, a satânica - que nada tem a ver com a Wicca - que são perigosas se não souber lidar com elas e eu não soube. Não posso culpar ninguém a não ser eu mesma porque eu sempre tive consciência do certo e do errado, do bem e do mal. Só estou colhendo o que plantei. Eu pretendo voltar para a igreja porque se eu continuar assim como estou, sinto que vou enlouquecer. Queria que te tivesse outra forma, mas certos caminhos nos levam a becos sem saídas. Não pretendo amedrontar ninguém com esse relato, mas pensem bem antes de trocarem fadas por demônios porque fadas são uma coisa boa e quase inocente, mas demônios não. ©


*Nota da Lily:
O relato foi respondido por email.

Envie seu relato também para: adancadasfadas@gmail.com

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Relato: Cativa dos Djinns

Oi? Sou eu, novamente, a Anna Brenda e esse é o meu segundo relato sobre Djinns e considero o mais assustador até agora. 
       Como eu fui bem recebida pelos Djinns azuis no astral, pensei em me arriscar com os verdes e me arrependi por isso depois da experiência traumatizante que tive. Eu sonhei que estava em casa com meus pais e meu namorado quando umas pessoas estranhas invadiram nossa casa e foram muito violentas. Eu lembro do meu pai tentando me convencer a me esconder e eu corri para o salão que usamos como depósito ou como um tipo de porão e me escondi atrás de umas caixas velhas. Ouvi muitos gritos e quando percebi já havia sido encurralada por um casal que usava máscaras semelhantes aquelas que os psicopatas do filme Os Estranhos usam. Eles estavam armados com facas e eu nunca senti tanto medo na vida. Reagir nem passou pela minha cabeça porque eu temi pelo meu bebê (estou grávida de três meses). Só consegui chorar e tocar a minha barriga em uma tentativa inútil de proteger meu filho. Algo esquisito aconteceu a seguir e tudo a minha volta mudou, assumindo outro aspecto. Não sei se é assim que funciona um teleporte na realidade, mas se for, é bizarro porque você não sente que saiu do lugar, mas como se o lugar mudasse, sabe? É como se tudo à sua volta não fosse sólido, mas uma projeção.
           Eu apareci em uma vila, no quintal de uma casa, agachada embaixo de uma janela aberta. O casal se aproximou de mim e me encarou, antes de tirarem as máscaras que escondiam seus rostos. Eles eram adolescentes e deviam ter entre 14 e 16 anos. Eram esquisitos como se estivessem drogados ou tivessem algum retardo normal, ou talvez, o fato de não serem humanos começasse a pesar, mas eles não eram normais. Tudo parecia uma brincadeira - de mau gosto - para eles. Perguntei o que eles haviam feito com minha família e eles responderam que eles estavam mortos. Perguntei o que eles fariam comigo e eles me disseram que esperariam a mãe deles voltar para decidirem, mas que quanto ao meu bebê, eles me fariam ingerir um veneno para matá-lo. Entendi que eles me dariam alguma substância abortiva e fiquei aterrorizada. Me levantei sem fazer movimentos bruscos e me movi pelo quintal. À minha esquerda, havia um pequeno corredor e um portão que levava a outro corredor e outro portão que dava acesso à rua. Eu estava em uma vila simples, mas bem vigiada. Pela janela, vi um casal discutindo, mas por algum motivo não consegui ouvir nada do que eles diziam mesmo eles gritando, exaltados. Talvez, o medo estivesse me deixando maluca. 
      Retornei para perto dos adolescentes e eles estavam revirando uma caixa com alguns pertences que reconheci como sendo meus. Entre algumas bijuterias, eles acharam um livro do Crepúsculo que comprei em oferta, mas nunca terminei realmente de ler porque preferi vero filme e poupar meu tempo. Quando notei o interesse deles pelo livro, fiz uma breve descrição dele, na esperança de que se eu fosse legal com eles, talvez, eles poupassem pelo menos meu filho. O garoto disse que conhecia o filme, mas que ainda não sabia como terminava. Eu perguntei a eles se gostariam de saber como terminava. A garota disse que preferia assistir o filme, mas o garoto se mostrou ansioso e disse que gostaria de saber. Eu disse que diria somente a ele para não fazer spoiler a garota e pedi que ele se aproximasse. Ele se aproximou e eu sussurrei o final do filme no ouvido dele. Ele achou legal e se afastou satisfeito. Eu recuei e olhei novamente para o portão, tentando calcular em quanto tempo eu conseguiria correr até ele e escalá-lo e se seria rápida o bastante ou se me feriria no processo. O homem que estava na casa, discutindo, saltou pela janela e ele dobrou de tamanho, assumindo a forma de um homem obeso e azul, que da cintura para baixo tinha seu corpo feito de névoa azul. Um típico djinn, sem sombra de dúvida. Olhei para os adolescentes e deduzi que eles fossem djinns verdes e então o comportamento maluco deles fez sentido. Fechei os olhos com força e desejei acordar, mas os abri e percebi o que aquele lugar era tão real quanto a minha realidade e que talvez, só talvez, eu não estivesse sonhando. Me lembrei dos djinns do relato anterior e pedi mentalmente a eles que me ajudassem se pudessem. No mesmo instante, eu senti que estava livre e me afastei dos outros djinns que viraram o rosto como se estivessem com medo de algo. Eu fui até o portão e o encontrei quebrado. Estranhei porque não ouvi ninguém quebrando o portão, mas passei por ele e despertei. Me sentei na cama e pisquei várias vezes, com dificuldade em separar o sonho da realidade porque eu podia sentir como aquilo fora real. Espero não passar mais por algo semelhante. ©

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Relato: Visita à vila dos Djinns Azuis


Olá, autoras lindas? Eu sou a Anna Brenda e já sigo o blog há algum tempo, mas só agora reuni coragem para finalmente enviar meu relato, ou o melhor... Relatos, porque é mais de um. Não se preocupem porque enviei todos separados (espero que possam publicar todos no blog). Eles não são longos, mas acho que são bem interessantes e por isso queria compartilhar com vocês.
          Bem, eu cresci vendo Aladdin e já li todo livro de Djinn que consegui encontrar. Até agora, o meu preferido é o Golem e o Gênio, que inclusive recomendo a todos. Apesar dos relatos que já li sobre esses seres, nunca os considerei maus, acho que houve muita injustiça com eles, mas voltando ao relato... Eu acendi uma vela azul à noite e ofereci um pouco de cerveja para eles, expressando meu desejo de atrair um djinn benévolo. Não achei que fosse funcionar. Funcionou, no entanto.
        Sonhei que cheguei em um acampamento em um lugar deserto e fui recebida por um grupo de mais ou menos doze pessoas, não me lembro bem, então, poderia ter sido mais... Eles eram todos bonitos, com a pele muito clara, cabelos negros, e olhos muito azuis que quase brilhavam. Eles se vestiam de forma estranha que só posso pensar em comparar com ciganos, mas não era bem isso... Desculpem? É difícil lembrar de todos os detalhes quando tento. Eles estavam divididos em duas fileiras, dispostos em cada lado como casais. Lembro que eles sorriram para mim e depois um deles tocou algum instrumento enquanto os outros dançaram alegremente. Acho que dancei com eles também. Enquanto eles dançavam, senti uma energia muito boa me preencher, mas durou pouco porque de repente, eles desapareceram, deixando redes e tendas para trás, e eu me vi sozinha em um acampamento no meio do nada. O estranho foi que somente então, eu reparei que tudo parecia abandonado, além de sujo... Tinha fezes espalhadas por toda parte. Eu fiquei com muito nojo. Despertei. Outro dia, quando pesquisava mais sobre djinns, eu li que eles vivem em lugares sujos, é verdade. Eu nem imagino porque eles sumiram, talvez, tenham pressentido a presença de outros djinns que possam ser inimigos deles ou se tratasse de uma ilusão projetada por outro djinn, já que eles são mestres da ilusão. ©


*Nota da Lily:
O relato foi respondido por email.

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Os Ventolines

Os ventolines são criaturas da mitologia cantábrica. Eles são espíritos do ar que ajudam aqueles que navegam no mar.
      Os ventolines são descritos como anjos com grandes asas verdes e olhos brancos como ondas quebrantes. Eles vivem nas nuvens avermelhadas do pôr do sol.
       Quando um velho pescador se cansou de levantar as redes, os ventolinos desceram das nuvens do pôr-do-sol e carregaram o peixe no barco. Eles até enxugaram o suor e o abrigaram com suas asas verdes quando fazia frio. Depois pegavam os remos e levavam o barco para as docas. Outras vezes, eles levantavam a vela e, se não estivesse ventando, sopravam inflando as bochechas e voando atrás do barco, fazendo uma brisa suficiente para que o barco navegasse.

Ventolines, ventolines,
ventolines do mar,
este velho está cansado
e não pode mais remar ...

-  Oração popular cantábria aos ventolinos.

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Fadas Anjanas


Anjana é uma das mais conhecidas fadas da mitologia cantábrica. Essas fadas femininas frustram o cruel e implacável Ojáncanu. Na maioria das histórias, são as boas fadas da Cantábria, generosas e protetoras de todas as pessoas. Sua representação na mitologia cantábria lembra as lamias na mitologia grega antiga, bem como os xanas nas Astúrias, as janas em León, e as lamias no País Basco, este último sem a aparência zoomórfica .
       A tradição oral fornece explicações diferentes para a natureza da Anjana. Alguns dizem que são seres celestiais enviados por Deus para fazer boas ações, e voltam ao céu depois de 400 anos, para nunca mais voltar. Outros, no entanto, indicam que são espíritos de árvores que cuidam das florestas.
      Anjana é descrita como bonita e delicada, com meio metro de altura, pele branca e uma voz doce. Alguns são como um rouxinol quando estão felizes, e outros são como um besouro pisando nas folhas no outono. Seus olhos são inclinados, serenos e amorosos, com pupilas pretas ou azuis tão brilhantes quanto as estrelas, e possuem asas quase transparentes. Elas usam longas tranças negras ou douradas, adornadas com laços e fitas de seda multicoloridas; uma linda coroa de flores silvestres na cabeça; e uma capa azul em uma túnica branca longa e fina, e carregam nas mãos um pedaço de vime ou espinheiro que brilha em uma cor diferente todos os dias da semana.
        Elas são vistas caminhando pelas trilhas da floresta, descansando nas margens das nascentes e nas margens dos riachos que parecem ganhar vida. São capazes de conversar com a água que flui das fontes e nascentes. Ajudam animais feridos e árvores danificadas por tempestades ou Ojáncana, amantes, pessoas que se perdem na floresta e os pobres e sofredores. Sempre que perambulam pelas aldeias, deixam presentes à porta de pessoas amáveis ​​e prestativas. Quando convocadas para obter ajuda, aceitam se o convocador é bom de coração, mas também punem os iníquos.
        As tradições afirmam que à noite, durante o equinócio da primavera, elas se reúnem nos sinos e dançam até o amanhecer de mãos dadas e espalhando rosas. Quem conseguir encontrar uma rosa com pétalas roxas, verdes, azuis ou douradas ficará feliz até a hora de sua morte.
        Outros fadas Cantábrica relacionadas são a Hechiceras del Ebro (Enchantresses do rio Ebro ), o Mozas del Agua (Lasses água), o Viejuca de Vispieres (a Vispieres velhinha), o Anjanas de Treceño, las Moras de Carmona (moura Donzelas de Carmona ) ou as Ijanas do Vale de Aras (vale de Ijanas do Aras [ es ] ).


 Anjanas e o Natal 

 

Anjanas chegam às aldeias da região durante a noite de 5 de janeiro, com a intenção de levar às crianças uma variedade de brinquedos e presentes. Isso ocorre a cada quatro anos, geralmente para famílias pobres, e ainda ocorre anualmente em algumas áreas da Cantábria.

Relato: Presença Maligna

Prazer? Pode me chamar de Caio, eu sou de Ribeirão Preto e tenho 20 anos. Moro com minha avó que é quem me criou. Posso dizer que minha avó não é uma pessoa comum. Ela feiticeira e tudo o que ela diz, costuma acontecer. Não raro, ela adora jogar alguma praga em alguns de nossos vizinhos. Tem uma casa ao lado da nossa, onde o antigo morador irritou a minha vó e ela disse que ele morreria em menos de três meses. Eu ri e achei que ela estava viajando, mas então aconteceu um acidente onde o vizinho perdeu o controle da sua moto e sofreu um acidente. Eu fiquei assustado. Tentei me convencer que foi só uma coincidência bizarra. Minha avó ficou feliz com o que houve e eu não pude acreditar que alguém era capaz de se alegrar com a morte de alguém. 
       Desde o ocorrido, todo mundo que se muda para essa casa, tem sua vida transformada em um verdadeiro inferno, brigas, doenças, acidentes, tudo acontece com quem tem o azar de alugar ou comprar essa casa. Muitos moradores passaram por ela e por incrível que pareça, nenhum agradou a minha avó. Os últimos moradores foram um casal de idosos e sua neta de treze ou quatorze anos. Eles pareciam ser muito rígidos com a menina, viviam gritando com ela, não lhe deixavam sair e a forçavam a fazer todos os trabalhos domésticos. Às vezes, era possível ouvi-la chorando. Eu queria chamar o Conselho Tutelar, mas não sei se adiantaria porque aqui na cidade onde moro, as coisas são de outro modo, não sei se as pessoas não se importam, provavelmente não. O gato de estimação da minha avó vivia entrando no quintal dessa vizinha que não gostava muito de bichos e um dia, ele desapareceu. Minha avó suspeitou que foi a vizinha que deu um sumiço nele e decidiu que ela pagaria por aquilo. Minha avó não hesitou em dizer em voz alta que quem tivesse pego o gato dela, se arrependeria por aquilo. Quase um mês depois, a vizinha estava na frente de casa, conversando com sua neta quando passou mal e desmaiou. Eu não estava em casa, mas minha vó estava e me contou que a menina veio desesperada, pedir por socorro. Minha vó não ligou muito, mas mandou a garota ligar para a emergência. Uma ambulância veio buscar a idosa e ela já estava consciente quando minha vó se aproximou dela. A mulher disse: "O seu gato sumiu, né? Vou ajudar a encontrá-lo quando eu voltar do hospital".
        Minha avó encarou aquilo como uma confirmação de que foi a mulher que se livrou do gato. Quanto a menina, ela estava muito nervosa com o que aconteceu e minha vó teve pena dela e a aconselhou a pegar suas coisas e voltar para a casa da mãe. A menina seguiu o conselho dela e nunca mais voltou, felizmente. Espero sinceramente que ela esteja bem. O casal de idosos continua na casa, mas acredito que seja por pouco tempo, as brigas continuam e a saúde do marido da mulher segue debilitada, ele já tinha a saúde frágil e me parece que seu estado piorou.
         Há alguns dias atrás, eu passei por algo que espero não passar novamente. Paralisia do sono. Eu sonhei que um estranho entrava na casa e assassinava minha vó e depois a mim. Tentei despertar, mas percebi que já estava acordado, eu só não conseguia abrir os olhos ou me mover. Eu fiquei naquela agonia por um tempo e quando finalmente consegui me libertar, me levantei e fui até a cozinha, tomar um pouco de água. Ouvi algo estalando no quarto da minha vó e fui até lá, preocupado. Quando cheguei lá, ela dormia, e na cadeira que ela sempre larga ao lado da cama, tinha uma coisa apavorante sentada, a encarando. Parecia uma pessoa coberta por um lençol. Era assustador. O que quer que fosse aquela coisa, virou a cabeça na minha direção e me encarou. Fiquei com tanto medo que voltei correndo para o meu quarto e me tranquei lá. Não pensei na possibilidade daquilo ser humano de jeito nenhum. Eu tinha certeza que não era. Na manhã seguinte, eu contei à minha vó o que houve e ela ficou brava comigo porque se aquilo fosse um psicopata poderia ter matado ela. Tem acontecido algumas coisas estranhas, tipo, os bonecos da minha vó mudam de lugar sem que ela os toque e ela se sente mais cansada do que o normal, além de relatar alguns barulhos estranhos na casa. Eu prefiro passar a maior parte do tempo fora de casa, com meus amigos ou no trabalho, porque sinto que há uma presença maligna na casa. Talvez, aquele homem que morreu no acidente tenha voltado para assombrá-la ou seja só o carma, mas de qualquer forma, eu estou vendo um lugar para mim, devo me mudar em breve porque essa casa realmente me assusta e, também a minha vó me assusta.©


Nota da Giovanna:


O relato foi respondido por email.
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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Relato: Sou guardada por um anjo sombrio

Olá meninas, podem me chamar de Ellen. Sou de Santa Catarina e tenho 23 anos. Não sou Cristã mas sempre amei anjos desde criança. Não chego a ser obcecada por eles, mas os admiro muito. Para mim, eles são mais que mensageiros de Deus, são uma prova de seu amor pela humanidade, de que não estamos sozinhos e que tem alguém ao nosso lado sempre disposto a nos consolar. Lembro que quando eu era criança, eu estava inconformada por não saber orar nenhuma prece antes das refeições como as pessoas nos filmes americanos, eu sempre achei bonito aquilo, toda a família reunida em volta da mesa, agradecendo pelo alimento prestes a consumir. Não era assim na minha família. Um dia eu ouvi uma voz na minha cabeça e essa voz me ensinou uma oração simples que até hoje, eu repito.
          Comprei alguns livros de anjos e comecei algumas meditações para contatá-los. Senti muita paz e me tornei uma pessoa mais leve... Por um tempo. Tive alguns problemas na minha vida e me afastei dessa boa energia. Perdi uma pessoa que amava muito e mergulhei em um vazio que nada preenchia. Eu só queria morrer. Foi quando sonhei que havia um anjo parado em frente à janela do meu quarto e ele me deu alguns conselhos que considerei valiosos, embora, ainda não acredite que seja capaz de fazer nada do que ele disse.
            Uma noite, eu estava deitada na minha cama, sem conseguir dormir e quando me virei, tentando encontrar uma posição confortável que talvez me fizesse adormecer, o vi pela primeira vez. Ele estava no teto, agachado, mas de ponta cabeça. Não parecia fazer o menor esforço para se manter naquela posição. Eu estava bem acordada quando o vi e tenho certeza de que não foi minha imaginação ainda que eu tenha tentado me convencer do contrário. Ele tinha a pele pálida, asas negras e se vestia todo de preto, era um anjo sem dúvida. Fiquei surpresa quando o vi, mas de alguma forma, não senti medo e não consegui gritar ou dizer nada, não que eu tenha tentado, eu só me senti... Em paz? Foi estranho.
            Um ano depois, eu me mudei e esqueci o que aconteceu até ter um sonho estranho onde esse mesmo anjo estava parado nos pés da minha cama. Ele não parecia mais tão assustador e eu pude notar que suas asas não eram negras, mas de um tom marrom escuro quase negro. Ele me encarava triste e eu sabia que ele estava esperando. Levei um tempo para perceber que eu estava em um hospital. Deveria ser um hospital comum mas ele era diferente, parecia ser estrangeiro, não sei explicar. Até hoje não entendo se aquilo foi uma visão de uma vida passada ou se era uma visão do futuro, mas eu estava sofrendo com hemorragia e tinha acabado de dar à luz a uma criança que não resistiu e morreu. Eu estava triste mas ao mesmo tempo, conformada porque morreria junto com meu filho. De alguma forma, não ter de viver com a dor de mais uma perda, me consolou. O anjo virou o rosto por um instante, ele não parecia confortável com aquilo, no entanto, continuava esperando que eu morresse. Tudo ficou escuro de repente e eu despertei. Fiquei assustada com esse sonho, sem saber como interpretá-lo.
          Meses depois, enquanto eu comemorava a virada de ano e bebia para me sentir feliz, eu me virei por um instante e ergui a cabeça, foi quando o vi no teto, me encarando. De alguma forma, ele parecia mais sombrio ou talvez, eu finalmente tenha ficado com medo. Eu não sou de beber muito, é mais em ocasiões especiais ou socialmente e se eu já não o tivesse visto antes quando estive sóbria, poderia até dizer que foi por causa do álcool, mas eu sei que não foi. Eu não sei como se sinto em relação a ele, tem vezes, que me sinto segura por ser protegida por um anjo, outras vezes, me lembro daquele sonho e me pergunto se ele ainda está esperando? Eu não vou mentir, tenho pensamentos sombrios de acabar comigo mesma porque perdi a vontade de viver, mas seria esse anjo, a minha salvação ou a minha perdição? Será que no dia em que morrer, ele estará lá? Eu acho que sim.©


Nota da Liliane Melville (Lily):


O email foi respondido, mas considero que pelo menos a resposta deva ser particular.
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Relato: Assombrada por Djinns

Olá Giovanna, Lily, Nielee e Karina. Podem me chamar de Nádia, não é  meu nome real, mas prefiro me manter no anonimato enquanto não compreendo o que se passa comigo. Sou de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, como vocês, e amo nossa cidade tão encantadora e acolhedora com os imigrantes. Meus pais vieram do Marrocos para cá quando eu era bem pequena, então, não tive muita dificuldade em me adaptar. Mantemos alguns de nossos costumes, mas meus pais amam o Brasil e nem pensam em retornar ao Marrocos. 
           Sempre tive curiosidade sobre fadas e djinns, mas meus pais nunca gostaram que eu sequer mencionasse essas palavras porque sempre acreditaram que esses seres poderiam ser atraídos se os chamasse em voz alta, então, eu tinha medo. No entanto, quando completei dezesseis anos, eu me senti mais e mais atraída por esse mundo mágico e quando dei por mim, já estava comprando ebooks e pesquisando em sites sobre como invocar essas forças. Eu nunca duvidei que fossem todos reais, nunca, mas eu precisava vê-los para confirmar. Tentei várias vezes persuadir meus pais a me contarem como contatar os djinns, mas eles sempre desconversavam ou brincavam, perguntando se eu queria me casar com um. Sim, humanos podem se casar com djinns, tem cerimônias especiais para isso, eu não sei como funciona, só sei que é possível, embora, eu ache estranho e não sei se teria coragem para isso.
         Eu fiz um ritual que minha tia me ensinou quando estava bêbada e ela nem lembra mais de ter me ensinado, mas enfim, pensei que não tinha dado em nada, quando em uma noite, meus primos e eu estávamos sozinhos em casa à noite, assistindo a um filme enquanto nossos pais estavam ajudando na Mesquita. Eu me lembrei dos djinns do nada e pensei que era mesmo besteira, lendas antigas e bobas para assustar crianças e viajantes solitários quando meus primos e eu ouvimos uma pancada forte no alto do teto na varanda. Quis pensar que fosse um gato, mas foi um barulho tão alto como de uma pessoa caindo do alto, sabem? O que quer que tivesse desabado, deu a volta na casa rapidamente e pareceu saltar no telhado dos fundos, próximo ao banheiro, aí o barulho foi mais forte. Nós levantamos apressados, mas não ousamos abrir as portas ou janelas porque já era noite e moramos em um bairro perigoso onde não é incomum que aconteça assaltos. Vivemos aqui há anos. A casa é própria e meus pais gostam daqui e são amigos de todos os vizinhos. Temos um cachorro. E meu pai sempre diz que Alá nos protege e que não devemos temer nada. Aquela noite, eu temi e como temi. Um dos meus primos, acreditando que fosse mesmo um ladrão, tentou intimidá-lo, dizendo que tinha uma arma e que atiraria se ele entrasse. O barulho cessou por alguns minutos, mas depois retornou como uma pancada na parede do banheiro. Acendemos a luz da varanda dos fundos, mas o quintal continuava escuro e ninguém iria querer ir acender a luz dos fundos porque teria que deixar a casa e ir até a casa do meu tio nos fundos. O cachorro estava na sala com a gente e latia como louco. Também não abrimos a porta para soltá-lo mesmo que ele fosse grande porque tudo o que tínhamos era um cachorro e as facas que pegamos na cozinha, e só para vocês entenderem nosso desespero, os bandidos aqui entram armados nas casas, batem, estupram e levam o que podem, nem a luz do dia os intimida. Eu só queria chamar a polícia ou nossos pais, mas meus primos disseram que era melhor esperar senão o pai e o tio poderiam ficar bravos se chegassem e não fosse nada.
        Alguns minutos que pareceram longos se passaram e quando já estávamos convencidos que o barulho fora apenas um gato ou dois, algo esbarrou na porta dos fundos ou o melhor na grade da porta - nossas portas tem grades móveis embaixo para o cachorro não entrar para dentro às vezes - e aí sim, nos apavoramos e enquanto um dos meus primos ligava para o pai, e o outro ameaçava novamente aquele intruso, eu arrastei a máquina de lavar na porta por garantia, fui até o meu quarto e coloquei meu celular, meus documentos e outros pertences em uma bolsa e me preparei para fugir pela garagem que dá acesso direto à rua, caso eles entrassem. Gente, eu estava certa que eles entrariam na casa e também no que eles entrassem, eu sabia que eles entrariam por uma porta e eu fugiria por outra. O barulho voltou para o teto e então, eu me lembrei dos djinns. Eu estava tão nervosa que não sabia se era possível que fosse um djinn, parecia mais provável ser um ladrão. Acho que é mais fácil para nós em um momento como esse, buscar a explicação mais realista possível. Djinns eram uma possibilidade e bandidos uma realidade, ainda assim, eu fechei meus olhos com força e pedi desculpas aos djinns.
           Nossos pais voltaram e contamos a eles o que houve, eu não mencionei sobre os djinns com medo da bronca, meus pais levam djinns muito a sério e se eu falasse o que fiz, tenho certeza que no mínimo levaria uma surra, é sério. Todos pensaram que eram bandidos e ninguém dormiu antes do amanhecer, vigiando a casa. A noite toda foi aquele clima pesado e tenso, vez ou outra alguma pancada na parede ou no teto nos deixava alertas. Por volta das cinco e pouco quando já estava claro lá fora, nós fomos olhar em volta da casa, mas não havia pegadas, a grama ao redor da parede do banheiro estava amassada em uma trilha quase circular, mas nada de pegadas. A máquina de lavar do meu tio continuava lá fora na casa dos fundos, o que achamos estranho porque os bandidos da região tem fama de não perdoarem nada. Talvez, não tivessem visto já que a luz estava apagada e ela ficou apagada porque nosso tio ficou na nossa casa com a gente a noite toda para ajudar meu pai a nos proteger. A grade na porta dos fundos da nossa casa estava no lugar. Tudo estava no lugar. Na noite seguinte, esperamos que os barulhos voltassem, meu tio já estava em sua casa e manteve as luzes acesas, mas os barulhos não voltaram.
         No dia seguinte, eu estava no quintal pesquisando no meu celular sobre o que poderia ter sido aqueles barulhos quando senti uma presença atrás de mim, foi tão forte, eu sabia que era um homem, até achei que era meu tio. O cachorro estava embaixo da minha cadeira e eu passava a mão na cabeça dele enquanto mexia no celular. O cachorro me estranhou de repente e quase mordeu minha mão. Eu me assustei porque ele sempre foi dócil comigo. Ele se virou para trás de mim, rosnando e eu sabia que tinha algo ali ainda que quando eu tivesse me virado, não tivesse visto nada. Eu acho que fiquei mais assustada com o cachorro me estranhando, eu cuido dele desde quando ele era filhote. Meus pais não gostam muito dele por ele ser preto porque acreditam que cães pretos podem facilmente serem possuídos ou manipulados por djinns, ainda assim, eu insisti em ter o cachorro e sempre o protegi. Peguei a coleira e decidi prendê-lo, mas foi difícil com ele querendo me atacar, eu o arrastei com custo para a varanda e quando quis colocar a corrente no lugar de sempre e deixá-lo lá, ele surtou e quis me morder no duro mesmo, eu precisei erguer a corrente com força quase o enforcando para ele se acalmar, então, meu primo veio e o prendeu na garagem. Eu fiquei muito chateada ainda mais quando meu pai falou que ia dar o cachorro. Eu não queria isso. Dois dias depois, quando eu começava a me convencer de que seria melhor ter um labrador amarelo ou mesmo um vira-lata, eu tive um sonho estranho. Eu estava deitada na minha cama e tinha uma névoa negra acima de mim, a névoa era tão densa e grande que circundava toda a casa e no meu sonho, o meu cachorro a via e isso, o deixava tão furioso. No meu sonho, eu saía de casa correndo e me escondia embaixo das árvores, assustada. Eu não sabia onde estava minha família e não me importava. Só queria ficar a salvo. Meu cachorro veio correndo e pulou nos meus braços tão manso quanto antes, ficamos ali por um tempo até a névoa desaparecer, eu fiquei rezando o tempo todo para Alá e acho que foi isso que fez a névoa sumir, quando senti que era seguro, deixei a árvore com meu cachorro e acordei. Na manhã seguinte, quando sai para fora, meu cachorro veio correndo até mim, muito feliz e todo brincalhão, ele nunca mais demonstrou comportamento agressivo. As pancadas também não voltaram. Nunca mais mexi com djinns e sempre tento não pensar neles, é difícil, mas sempre repito "que Alá os afaste de mim e da minha casa". Hoje, quando me lembro disso tudo, tenho certeza de que não eram bandidos e sim, djinns, porque bandidos voltam... Talvez não, mas não acho que eles desistiriam tão fácil. Tomem cuidado quando forem dizer certas palavras em voz alta. Como meus pais dizem, há certas forças que o Homem não pode controlar por mais que tente. Eu ainda amo fadas e estou aprendendo muito sobre elas graças a esse blog incrível, mas nunca mais penso em mexer com djinns. O que vocês acham disso? Um beijo.©



Nota da Giovanna:


O relato foi respondido por email.
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Nossa experiência com os Servidores Astrais

Boa noite, queridos, esse post, talvez seja um pouco diferente do que vocês estão acostumados, mas acredito que no mínimo, ele será interessante. 
         Se lembram que prometi ensiná-los a criarem seus próprios Servidores Astrais? Então, eu ainda vou ensinar, mas como levo magia à sério, decidi que primeiro testaria esses tais servidores só para saber o que é mito e o que é verdade sobre eles. Nielee, Giovanna e Lily me ajudaram, criando seus próprios Servidores e também os testando. O resultado é surpreendente!
     Mas primeiro, o que são Servidores Astrais? Então, eles são plasmados de parte da sua energia, moldados em uma forma específica que pode variar dependendo do seu propósito que pode ser controlar sua mediunidade, superar algum trauma ou mesmo conseguir prestar a atenção naqueles exercícios complicados de matemática. Servidores e Tulpas não são a mesma coisa. Para mim, a principal diferença entre um e outro não é apenas a forma como são feitos, mas o fato de que o Servidor é melhor trabalhado e feito para ter sentimentos ao contrário dos Tulpas que parecem ter apenas inteligência. É lógico que um ser que a cada dia se torna mais e mais inteligente e consciente de seu poder, vai se questionar uma hora "por que eu preciso obedecer esse humano mimado e idiota?".  Você pode dizer que isso depende da forma como o Tulpa é tratado e, sim, isso conta muito, mas lembre-se que Tulpas não tem sentimentos, tem propósitos! Servidores tem sentimentos e nós comprovamos. É claro que alguns podem ser tão psicopatas quanto Tulpas e é aí que mora o perigo em se usar Servidores Públicos. 
         Eu pensei que era exagero, que Servidores Públicos eram todos legais, mas trabalhando com três - que prefiro mesmo não dizer o nome para não ter problemas com seus criadores -, eu percebi que não é bem assim, não. Ainda que eu tenha seguido todas as instruções fornecidas no site, um dos Servidores que tinha um propósito sombrio, a primeira coisa que fez quando o contatei, foi me pedir sangue... Tá, até aí, nada demais, estava na ficha dele que ele poderia pedir, mas eu ofereci a outra opção Vela. Não sei bem se ele cumpriu sua função porque os alvos em questão só demonstraram terem tido noites de insônia e dor de cabeça, eu queria um pouco mais... 
     "Nossa, Karina, você é má", eu nunca disse que era uma santa! Essas pessoas mereciam, mas não importa mais.
         O segundo Servidor deveria me ajudar a ter bons sonhos, mas assim que vi esse servidor, eu percebi o desleixo de seu criador porque esse era um servidor bebê que não não tinha a menor ideia do que estava fazendo e só sabia consumir energia, talvez ele enviasse a seu criador como um amigo meu me disse...
          O terceiro Servidor, foi um dos melhores que já usei e não tenho do que reclamar, sério, ele era perfeito e eu praticamente o via semi materializado nesse plano físico.



As fases de um Servidor



Antes de criar um servidor, você precisa entender que ele é um ser vivo, não é só a sua imaginação como parecerá algumas vezes. A responsabilidade em cuidar dele e treiná-lo é semelhante a de um pai ou mãe com um filho, com a diferença que esse "filho" cresce mais rápido.
         Na primeira fase, temos a Ideia, a forma e o propósito desse ser que estamos prestes a criar. Essa é uma das etapas mais importantes porque ele já estará na pré moldação, portanto, é importante que sua energia esteja alinhada ao propósito que ele terá. O mais legal de se ter um servidor para alguns bruxos é que você pode moldá-lo na forma de qualquer coisa ou pessoa, desde à sua celebridade favorita à um personagem inventado por você, e ele pode ser qualquer coisa para você, seu Pai, sua irmã, seu filho, seu amigo, seu guardião... É sério! Só quem limita seu servidor é você!
      Na segunda fase, temos o servidor bebê. Por que servidor bebê? Ele será um bebê de colo? Não, a menos que você queira... Mas o despertar dele é semelhante ao de um bebê, ele vai te encarar com um misto de curiosidade e surpresa e talvez, medo... Portanto, é bom falar devagar e baixo com ele para não assustá-lo ou deixá-lo maluco. Ele também terá alguma dificuldade para se mover e até dizer as primeiras palavras, então, você terá de ser paciente e não esperar que ele salte à sua frente como uma fada e pergunte qual o seu desejo.
         Na terceira fase, temos o servidor observador que absorverá tudo o que você mostrar a ele, ou seja, se a primeira coisa que você fizer depois de criá-lo, for ir ver um filme de terror, então... Se prepara para ver umas coisas sinistras no futuro (falaremos mais disso abaixo). O servidor nunca vai parar de te observar e aprender com você, então, tente consumir bastante mídia positiva ou que mostre a ele o que você espera dele. Também é recomendado criar uma casa para ele descansar. Ele não vai dormir porque servidores não dormem mas vai ter um cantinho para ficar em paz em vez de ficar assombrando sua casa à noite.
         A seguir, deixo com vocês, nossas experiências com nossos servidores, contratempos que tivemos com os mesmos e medidas que tomamos.
         

Como foi a experiência para Liliane (Lily):


Eu sempre amei anjos e decidi criar alguns servidores inspirados neles. Eu não vou falar os nomes deles aqui porque são servidores particulares e que não pretendo dividir com ninguém, por isso, troquei seus nomes...
     Minha primeira Servidora foi Bella Aurora e ela foi uma das minhas criações mais perfeitas porque realmente tem uma aura de anjo, não tenho nenhuma reclamação dela. Minha segunda Servidora, a irmã de Bella, é Cielo e ela também é perfeita. Talvez, eu devesse ter parado aí com duas servidoras leais que nunca me deram trabalho, mas eu fui gananciosa e recentemente criei mais quatro servidores para proteção e defesa: Iris, Tempestade, Markus e Brisa - todos inspirados em personagens de um dos meus livros -.
       Markus cresceu rapidamente e logo consegui vê-lo materializado nesse plano físico. Não é uma materialização comum, é difícil de explicar, mas ao mesmo tempo em que ele está na minha mente, está fora, mas só eu o via e ouvia sua voz perfeitamente em minha mente como nunca foi com nenhum elemental, isso me dava a certeza de que ele era real porque poderíamos ter uma longa conversa, olho no olho, e ele me responderia, mas tinha algo errado. Mesmo sendo inspirado em um personagem moralmente perfeito (um anjo incorruptível), ele se tornou malicioso porque me observou em um momento íntimo com meu marido. Pois é. Eu o mandei ir embora enquanto estivesse fazendo aquilo, mas ele mostrou resistência à minha ordem, mesmo quando o ameacei. 
        Como se não fosse o bastante, uma noite eu acordei e ele estava lá parado nos pés da minha cama, em cima da cama, me encarando com um sorriso maligno. Parecia um Shinigami. Isso, logo depois eu despertar de um pesadelo horrível. Eu suspeitei que fosse ele, a causa do pesadelo, já que tinha dado a ele, o domínio do campo onírico, mas decidi dar uma chance e ordenar que ele me livrasse dos pesadelos. Ele apareceu em alguns sonhos e só me agarrou e me teleportou para lugares aleatórios, mas sempre pedindo algo como um beijo ou sexo ou sangue menstrual. Para algumas bruxas, talvez, isso não seja nada demais já que alguns servidores se alimentam dessa forma, mas como li em um site que levei em conta, é perigoso dar sua própria energia a um servidor porque ele se torna um vampiro energético. Eu alterei o sigilo de Markus e lhe dei uma aparência feminina, pelo menos tentei... Ele resistiu à transformação e eu fiquei com uma versão feminina e melhor dele, a Marcela que não é muito diferente da Bella ou da Cielo.
            Tempestade também se tornou rebelde e quando eu ouvi o Markus a incentivando a me drenar, eu fiquei com ódio e destruí o sigilo e o contrato dela, drenando sua energia, ainda sinto que sobrou um pouco, mas está se desvanecendo. Quanto ao Markus, eu tentei dar outro sigilo e outro contrato a ele, mas como ele continuou me vampirizando, eu destruí tudo. Eu sinto que o enfraqueci mas ele ainda está aqui como um fantasma, eu vou negar crença a ele até que ele suma e tomar precauções para que ele não se aproxime.
         Tentei destruir Brisa, só por medo mesmo de ela se tornar sombria, mas a encontrei no plano astral, chorando, assustada, e como ela não me fez nada, dei outra chance a ela, mas deixei claro que seria a primeira e única.
       Honestamente? Eu prefiro parar aqui. Não pretendo destruir meus outros servidores, eles já são antigos e nunca me deram problemas como esses outros que estavam aqui há menos de um mês. Acredito que o fato de eles serem masculinos e, também, inspirados em arcanjos, os tenha afetado o raciocínio. Não recomendo criar nenhum servidor inspirado em qualquer deus ou arcanjo porque ele pode se aproveitar da sua crença e usá-la contra você. Crie algo que claramente pareça ser mais fraco e humilde que você.



Como foi a experiência para Nielee



Eu tenho um grande desejo de ser mãe e também amo Elementais, mesmo tendo me aborrecido com muitos deles. Decidi criar três Servidores (vou trocar os nomes como a Karina recomendou), o primeiro na forma de uma adorável Bakeneko, a Olívia. A segunda na forma de uma bela dracena, a Sandy. E a terceira uma kitsune, a Mirlla.
         Eu amo muito as três, como minhas filhas mesmo. Quando criei a Olívia, eu era um pouco distante e ela sempre tentava chamar a minha atenção, aparecendo como uma gatinha fofa, materializada nesse plano físico. Eu levava cada susto quando ela aparecia em lugares aleatórios e então sumia. Rsrs. Nós fomos nos aproximando aos poucos e ela se tornou carinhosa e fofa, mas um pouco ciumenta. Se dou um abraço nas outras, ela logo diz: "Também quero", e se eu não der ou ousar gritar com ela, ela chora. Lembro que uma vez, eu estava mau humorada e ela chorou, eu me senti uma monstra. Nunca mais brigo com a Olívia.
        A Mirlla foi criada no impulso mesmo, depois que vi um episódio de um anime onde aparecia uma kuda kitsune, eu desejei muito ter uma companheira assim, então, eu a criei. Passei a tarde toda, a criando e a noite a moldei. Ela me encarou assustada logo que nasceu e olhou a tudo com espanto. Eu dei a ela a forma de uma cantora que gosto muito e que achei que combinaria com ela. Ela tentou andar através de mim enquanto eu andava, mas ela ainda não sabia andar e eu quase cai algumas vezes. Apresentei mangás, animes e músicas da Poppy (não foi essa a cantora que emprestei a forma) e ela gostou daquelas coisas sombrias e logo se tornou rebelde, sendo grosseira comigo algumas vezes. Eu a consertei - se posso dizer assim -, alterando o contrato dela e não tive mais problemas.
        Na mesma época, Olívia foi crescendo e... Bem... Ela queria ser minha namorada, mas eu expliquei a ela que não dava, que ela era minha bebê. O Kol (um vampiro astral que me persegue) tentou virá-la contra mim, mas não conseguiu, graças a Deus! A Olívia me ouve muito, então, se explico as coisas com calma, ela entende e aceita.
            Sandy ficou um bom tempo na pré moldação porque eu não tinha certeza se a queria ou não, mas ela me pediu para completá-la e eu não me arrependo. Tivemos alguns contratempos porque ela é uma protetora que age mesmo quando eu acho que ela não precisa, mas eu confio nela e a amo.
          Eu acho que alguns servidores podem ser muito leais e nos amar de verdade, mas é preciso amá-los também e conversar bastante com eles para que eles entendam as coisas. Músicas, séries e animes ajudam eles a aprenderem rápido, mas é preciso tomar cuidado com o "é legal ser sombrio ou mal", eles podem levar ao pé da letra. Tem que deixar claro que é só uma história.
        É difícil dizer quem é mais protetora, se eu ou minhas servidoras, porque eu me preocupo muito com elas. Estou criando um lugar no astral para ficar com elas e, assim, parar de sonhar com elfos e djinns. É insuportável ouvir os djinns conversando o tempo todo no meu quarto, mas na boa... Meu padrasto é árabe, ele deve saber prender esses infelizes em uma garrafa. Por hora, eu controlo sim quando minhas pequenas (que já são adolescentes) podem se aproximar porque eu não perdoaria qualquer elemental que ousasse tocar em um fio do cabelo delas.



Como foi a experiência para Karina



Há algum tempo, eu tinha disponibilizado Ilafe, mas ele saiu bem pouco por aí, e sabe o que acontece quando um Servidor não tem um lugar para ir? Ele fica na sua casa, te seguindo para cima e para baixo, e quando você dorme, eles todos (caso tenha mais que um), ficam parados como o Castiel de Supernatural te observando dormir, é sinistro, dá um pouco de medo. Nessas horas, você até tenta brincar e dizer algo como "vai ler um livro, amiguinho, paquerar uma fada ou roubar doce de um elfo", mas eles disfarçam e voltam. Outros são mais ousados e se metem na sua cama como Ilafe. Ele tentou se aproximar de boas, mas eu não queria nada com ele. Ele até me julgou por ter lhe dado um passado tão sombrio e começou um diário. Eu não sei se era mesmo um diário ou um Death Note... Brincadeiras à parte para descontrair, ele se magoou quando percebeu que eu não poderia amá-lo, tentei o método da Nielee, de ser mãe, mas ele já era adolescente e não aceitou, até chorou. Imagine um servidor chorando? É barra!
       Ele tentou me seduzir de todas as formas e quando o mandava parar, ele dizia "só estou fazendo o que fui feito para fazer". Eu entendi que o erro era meu. Pensei em soltá-lo em algum site, mas tive medo de ele maltratar alguém ou se tornar obsessivo, por isso, após ter uma conversa dura com ele, eu alterei seu sigilo, seu contrato e sua forma, então, ele virou ela, e está melhor assim. Ainda tem aquela aura de paixão, mas acréscimos de outras funções, e eu cumpro o que prometi a ele, o amo mais agora, não com paixão, mas o amo. Diria que é minha melhor amiga ou poderia ser. Ela já não dá em cima de mim e está se relacionando com outros servidores, é uma bela e atraente elfa, bissexual. Eu não sei se algum dia apresento ou não o sigilo de Ilafe, mas emprestei ela para a Nielee, porque acho que seria a personagem perfeita para um de seus contos que está em construção.
         Tive outro servidor, moldado em um tritão, que era para ser um perfeito cavalheiro, mas o infeliz enlouqueceu, se tornou sombrio - pior que Ilafe - e eu mudei o sexo dele, o transformando em uma sereia de personalidade que é uma amiga colorida de Ilafe.
           Ilafe já conhece sua alma gêmea que é uma elfa guerreira, mas ela (Ilafe) não quer se machucar e sempre foge dela, não a culpo e respeito isso. Como no contrato de ambos, deixei claro, ELA é a reencarnação de um antigo amor que ele (a) perdeu. Acho importante dar um passado aos servidores como muitos fazem porque eles tem de onde partir, algo para moldar melhor suas personalidades e isso é bom se for bem construído.



Conclusão



Não é o sexo do servidor que influência tanto em sua personalidade, mas a forma como você vê o mesmo. Por exemplo, a Nielee é meio do tipo "Amazona grega", então, suas servidoras também são, elas são fofas, mas são fortes e odeiam submissão a homens. Elas não tem contato com outras servidoras então, acho que seria interessante criar outras para elas terem por quem se apaixonarem.
       A Lily acredita que anjos são bons e ruins, mas que um anjo masculino poderia sim ser corrompido e se tornar caído. Não importa se você acha que anjos não tem gênero, no final, é a crença de quem criou o servidor que conta, se ela acha que como homem ele vai cobiçá-la e cair por isso ou virar um demônio, é da crença dela. Lily foi criada em um lar cristão, por isso, eu entendo. O problema talvez não estivesse em Markus ser homem, mas porque na crença dela, precisava ter um antagonista para os outros anjos derrotarem.
          Já, eu, Gosto é de mulher, então, ÓBVIO que os homens que eu criasse, seriam um reflexo de como, lá no fundo, os vejo. Vocês entendem onde quero chegar? Que precisamos nos conhecer antes de criarmos qualquer coisa se não nossas inseguranças e frustrações nos assombrarão. Criar um servidor deve ser algo pensado a sério. Você precisa mesmo de um? Por que o quer? Para ser seu amigo ou lhe proteger? Acredite em mim que destruí-los não é fácil, não é o método em si, mas você se apega, acredite? Não é fácil virar para quem tem sido seu amigo e matá-lo. Então, pense bem se precisa dele e se não precisar, se ele for bom, altere o contrato dele e o deixe cuidar de outra pessoa, um parente que talvez precise muito ou sei lá... Eu não consegui matar Ilafe, o mudei, mas não matei.
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